O drama do empresário Daniel Nogueira, 34, que fez um apelo nas redes sociais para que as pessoas se cadastrem no banco nacional de medula, fez disparar o número de interessados em ser doadores no hemonúcleo do Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus (a 185 km de Salvador), no Recôncavo baiano.
Até a semana passada, poucas pessoas compareciam ao hemonúcleo com esse objetivo. Segundo informações de Luciana Soares, assistente social, depois do apelo do empresário, dezenas de pessoas têm procurado o hemonúcleo para doar.
Daniel Nogueira descobriu em fevereiro deste ano que sofre de Síndrome Mielodisplásica, deficiência na medula óssea que afeta a produçào de células. No início do tratamento, os médicos acenarem para a necessidade de transplante.
Daniel conta que quase entrou em depressão. Teve recaídas, precisou de transfusão de sangue e foi internado. “Luto para reverter e curar uma doença que, de cara, não tem causa específica e eu nunca havia contribuído para que ela aparecesse. Uma doença mais comum em idosos, cuja probabilidade de acontecer em um cara de 34 anos é de um em dois milhões”, diz.
Ele descobriu que estava doente em janeiro. “Era bastante cansaço, anemia, dores nas pernas ao subir escadas. Vi que tinha algo errado com minha saúde. Fiz todos exames, que deram normais, menos o hemograma. A mielodisplasia, se não fosse descoberta a tempo, teria virado leucemia, muito mais grave”, conta.
Ao descobrir que a única irmã não é compatível, Daniel trava agora uma batalha para encontrar um doador: “Não tive compatibilidade familiar. São momentos difíceis. É uma doença menos grave que a leucemia, mas é rara e ainda não descobri no Brasil quem tem essa doença. E a cura só virá com o transplante”.
Ele acredita que quanto mais pessoas se cadastrarem, mais chances ele tem de encontrar um doador.
No apelo nas redes sociais, o empresário contou a trajetória em busca da cura e reafirma a importância de doar para salvar vidas. “Não é uma campanha oficial. Mas também meu apelo não é só para mim. É para salvar vidas de quem precisa de transplante. É um apelo que mostra a força de um guerreiro. Minha esposa já doou, fez a parte dela”, ressalta.
Segundo Daniel Nogueira, o estado de saúde dele é estável. Apesar de estar realizando tratamento com quimioterapia, e respondendo bem, ele precisa do transplante.
“Por isso espero contar com a ajuda do pessoal de Santo Antônio de Jesus e tenho certeza que muitos vão poder ajudar, pois o procedimento de compatibilidade é muito simples, é parecido com a coleta de sangue para exame, apenas 5 ml”, explica.
Auxílio
Daniel lembra também que o doador pode auxiliar outras pessoas que estão na mesma situação. “Doar sangue é muito importante, pode ser que você não seja o doador da medula para mim, mas pode ajudar outra pessoa que também tem a doença, ou que apenas precisa de sangue”, afirma.
O banco de doadores é universal, podendo ser feito em qualquer hemonúcleo. Daniel também atua na conscientização das pessoas para arregimentar o maior número de possíveis doadores de medula óssea: “Estou diante de um tema que eu conhecia e jamais tinha dado importância”.
Para ser doador de sangue ou de medula, a pessoa deve ter entre 18 e 55 anos e estar em bom estado de saúde.
Primeiro se faz um cadastro em um banco de sangue. Depois, é colhida uma amostra do sangue para futura avaliação genética e de compatibilidade.
A partir daí, o interessado já entra no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), que será consultado toda vez que alguém precisa de uma doação.
Se o transplante se tornar viável, o doador é chamado para que a medula óssea seja coletada.
O hemonúcelo em Santo Antônio de Jesus funciona em uma sala anexa do Hospital Regional.
O período de funcionamento do departamento é de segunda a quinta-feira, das 8h às 16h, e às sextas, das 8h às 12h.


