Agentes de endemias enfrentam dificuldade no trabalho

Há cerca de três anos, um agente de endemias, que preferiu não ser identificado, veste a mesma farda para trabalhar diariamente. O uso da vestimenta por tanto tempo deixou a camisa transparente – originalmente, era da cor branca. As botas, de tão estragadas, foram trocadas pelo par de tênis  que  usa para malhar.

O fardamento é apenas um dos problemas que  servidores do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Salvador enfrentam no dia a dia. A falta de estrutura e de materiais tem feito  agentes que atuam há anos na área repensarem a permanência na profissão. 

“Nosso empenho é enorme, mas precisamos de melhores condições  para continuar executando nosso trabalho”, disse.

Conforme o presidente da Associação dos Agentes Comunitários de Endemias de Salvador (Aaces), Enádio Pinto, as dificuldades  são comuns aos cerca de quatro mil  servidores distribuídos nos 12 distritos sanitários da capital baiana.

Segundo Enádio, a carência de fardamento e crachás para identificação tem interferido na continuidade do trabalho de combate às endemias.

“Não temos condições de entrar em um terreno baldio sem a devida proteção, pois muitos deles são insalubres. Outras vezes, os moradores, com receio, não nos recebem e não temos como nos identificar e tranquilizá-los de que somos, de fato, agentes de endemias”, afirmou.

A falta de equipamentos como lanternas, baterias e conexões, indispensáveis para a identificação dos focos de dengue nos imóveis onde não há iluminação, também é uma queixa recorrente entre a categoria.

Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde  (SMS) informou que a distribuição do fardamento aos agentes foi iniciada no final do mês de abril.

“A previsão é que, até junho, os cerca de quatro  mil profissionais que atuam em Salvador recebam os materiais. Cada colaborador terá direito a duas camisas, duas calças, uma mochila e um par de botas, semestralmente”, diz o texto. (ATarde)