?Atitudes que favorecem a inclusão do aluno com perda auditiva na escola”
É importante que o professor saiba favorecer a inclusão do aluno com perda auditiva na escola, adotando tais condutas:
? Verifique se o aluno procura ou é procurado por seus colegas para brincar, conversar, lanchar, etc.
? Se o aluno está envolvido em relacionamentos mais extensos de amizade, dentro ou fora da sala de aula.
? É importante esclarecer aos demais alunos da classe sobre a perda auditiva e as necessidades específicas deste aluno surdo. Fale com todos sobre o assunto e responda as suas curiosidades iniciais. Pense no aluno com perda auditiva, sobretudo, como um aluno comum. Elogie suas qualidades e atributos e chame sua atenção quando necessário.
? Quando não compreender a fala do aluno, demonstre isto. É melhor do que ?fazer que entendeu?. Ao mesmo tempo, demonstre que tem muita vontade de compreendê-lo. Com esta atitude, verá que ele buscará formas mais eficazes para se fazer entender.
? Estimule e incentive as iniciativas de interação entre o aluno com perda auditiva e seus colegas de classe. Cuide da união e amizade entre seus alunos, tanto na classe quanto fora dela. Procure ouvir e compreender as queixas das crianças. Nelas, provavelmente, estarão implícitas as dificuldades de entrosamento entre eles.
? Coloque um aluno como seu ajudante do dia para apagar a lousa, distribuir cadernos, buscar giz, etc. Faça isso também com o aluno com perda auditiva; dessa forma estará promovendo-o e demonstrando que ele é importante para você e para a classe.
? O aluno com perda auditiva não deve ser cercado de privilégios. O que pode para ele pode para todos. A intenção é promovê-lo perante o grupo através dos acontecimentos naturais e rotineiros do ambiente escolar, que explorados corretamente, aumentarão as oportunidades de integração entre os alunos.
Condições básicas para o bom desempenho do aluno com perda auditiva em sala de aula
– Localização do aluno com perda auditiva na sala
É importante que o professor determine o lugar do aluno na sala, garantindo a proximidade entre ambos. Caso o aluno use aparelho auditivo ou implante coclear, quanto mais próximo estiver o falante (professor) do microfone destes aparelhos, melhor será a percepção dos sons da fala pelo aluno. Isto também favorecerá a leitura orofacial (leitura labial), recurso muito utilizado por pessoas com perda auditiva e especialmente importante ao considerarmos o ruído da sala de aula.
– Ruído na sala de aula
Para aprender, toda pessoa precisa de um ambiente silencioso, e o aluno com perda auditiva mais ainda. Os ruídos da sala de aula (arrastar cadeiras e mesas, ruídos que vem do pátio ou da rua, ventiladores ligados, etc.) também são amplificados pelo AASI e/ou transmitidos pelo IC ao aluno acabam mascarando a voz do professor. Tente reduzir ao máximo o ruído, colocando ponteiras de borracha ou pedaços de feltro nos pés de cadeiras e mesas, e cortinas e plantas, na sala de aula por exemplo. Se possível escolha uma sala de aula cuja janela não esteja voltada para uma rua muito movimentada ou um pátio muito usado na escola.
– Iluminação adequada
Assegure boa luminosidade no ambiente, pra facilitar a utilização da leitura orofacial. O ideal é que o professor fique sempre de frente para a janela. Assim, a iluminação natural envolverá o seu rosto.
– Comunicação na sala de aula
É imprescindível que todos os colegas e os professores dos alunos com perda auditiva conversem normalmente. O professor tem um papel muito importante no acesso, na construção e no aprimoramento da linguagem oral do aluno, portanto, converse, conte histórias, pergunte, explore ao máximo o uso da língua oral na sala de aula e lembre-se: garanta a compreensão do que é dito na sala de aula. Exemplifique, mostre ao aluno sobre o que você ou os outros alunos estão falando. Com isso, o aluno com perda auditiva se sentirá seguro para se expor frente a todos na escola.
Em resumo, destacam-se cinco pontos essenciais para o melhor desempenho do aluno com perda auditiva em sala de aula:
1- Atenção do aluno ao professor
Sempre que se dirigir à classe, verifique se o aluno com perda auditiva está com atenção voltada para você.
2- Inteligibilidade de fala
Fale sem alterar a velocidade da fala, a articulação e o tom da voz e esteja próximo ao aluno.
3- Transmissão de conceitos
Exponha e repita ideias e conceitos de forma variada, com vocabulário adequado e acessível ao nível da linguagem do aluno e verifique sempre o que este compreendeu do que foi dito.
4- Respeito às diferenças individuais
Dê a oportunidade para o aluno ser compreendido por você e por todos da classe, aceitando e respeitando suas diferenças individuais. A maioria das crianças com perda auditiva ingressa na escola antes de alcançar o domínio da linguagem oral, mas com grande potencial para a comunicação e aprendizagem.
5- Acompanhamento do desempenho escolar
Transmitir o conteúdo questionando o aluno sobre o que ele aprendeu é uma forma de avaliar se as explicações e uso de recursos didáticos diversos estão garantindo a compreensão;
E mais! Avaliar o aluno oralmente é um recurso importante, visto que nem sempre o aluno com perda auditiva conseguirá expressar-se tão bem na escrita quanto oralmente. Lembrar que, para a maioria dos alunos com perda auditiva ouvir, falar, ler e escrever são habilidades vivenciadas e apreendidas quase que ao mesmo tempo, e sua habilidade pode ser restrita, o que pode comprometer a avaliação do conteúdo;
Conversar com os pais sobre os objetivos das aulas, os conteúdos ministrados e sobre as formas de avaliação é muito importante! Os pais poderão inclusive ser orientados a simular provas e conversar antecipadamente com o filho sobre conteúdos que ainda serão ministrados. Explorar com o aluno/filho anteriormente os temas que ele estudará em sala de aula certamente o auxiliará a compreendê-los melhor.
Algumas estratégias para melhorar a comunicação com a criança/aluno/pessoa com perda auditiva, descritas por Bevilacqua e Formigoni (1997) são:
? Use voz clara, em volume e articulação normais;
? Use voz interessante e animada;
? Fale próximo ao AASI ou IC;
? Use primeiro a voz para chamar a atenção: chame primeiro, caso o aluno não atenda, chame a sua atenção com recursos visuais e nunca o cutuque! Caso seja necessário usar o toque, faço delicadamente e espere que o aluno olhe.
? Use movimentos corporais, gestos apropriados para chamar a atenção e sempre diga algo quando o aluno olhar.
? Ofereça uma pausa para que o aluno responda a uma pergunta ou solicitação;
? Deixe a criança ver seu rosto de frente e esteja preferencialmente no mesmo campo visual que ela;
? As expressões faciais devem ser ricas e corresponder às ações;
? Comunique-se de maneira acolhedora e alegre e esteja disponível para a interação;
? Procure reconhecer as tentativas de comunicação da criança;
? Aproveite as oportunidades de oferecer linguagem à criança, transformando comunicação não-verbal em verbal;
? Inclua comentários ou questões à comunicação da criança, possibilitando outras repostas delas;
? Não fale palavras isoladas, use sentenças curtas e simples e aumente a complexidade da linguagem de acordo com o potencial comunicativo da criança;
? Não use diminutivos ou fala infantilizada;
? Use o contexto significativo de linguagem, falando sobre o que está acorrendo;
? Mantenha um dialogo, faça também o papel de ouvinte;
? Use uma palavra chave para mudança de assunto ou explicação;
? Forneça informações e lembre-se que muitas vezes a compreensão da linguagem é maior do que a capacidade de expressão da criança.
? Procure não ser ansioso e não transmita frustração à criança por ela ter falhado na resposta;
? Deixe a criança tentar se comunicar e pedir o que quer: não atenda prontamente;
? Se necessário: repita, simplifique, refraseie usando sinônimos; reelabore, oferecendo explicações que auxiliem a compreensão da criança;
? Delimite as possibilidades de resposta da criança na pergunta (ex: ?você quer o lápis amarelo ou o vermelho??);
? Peça informações para a criança (ex: ?o que você entendeu??)?.
Fonte: Adap


