O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que poderá proibir as plataformas de apostas online, conhecidas como “bets”, caso as medidas de regulamentação não apresentem resultados concretos. A afirmação foi feita nesta quinta-feira, 17, durante uma entrevista à Rádio Metrópole, na Bahia.

Em um levantamento realizado pelo Bahia Notícias, constatou-se que 16% dos usuários que apostaram em bets já enfrentaram problemas de endividamento. A pesquisa também revela que a maioria dos apostadores é composta por jovens de 16 a 24 anos (31%), com destaque para as regiões Sudeste (26%) e Nordeste (25%), além de pessoas com ensino fundamental incompleto (27%).
Os dados fazem parte de uma pesquisa divulgada pelo PoderData, e indicam que 73% dos brasileiros nunca realizaram apostas online, enquanto 24% afirmaram já ter participado dessas plataformas. Entre os apostadores, os 16% que admitiram ter se endividado representam um grupo significativo dentro dos 24% que já apostaram.
Ao projetar esses números para o universo de eleitores brasileiros com mais de 16 anos, o PoderData estima que cerca de 37,4 milhões de pessoas estão envolvidas com as apostas online no país.
Entre os endividados, os homens representam a maioria, com 22%, seguidos por adultos de 45 a 59 anos (18%) e moradores da região Norte (22%). A pesquisa também aponta que pessoas com renda de até dois salários mínimos (22%) e aquelas com nível de escolaridade mais baixo (22%) têm maior tendência a contrair dívidas com as apostas. Já entre as mulheres apostadoras, apenas 8% relataram problemas de endividamento.
Endividamento por região e religião
Analisando por regiões, o Norte lidera o índice de endividamento com 22%, seguido pelo Sudeste (18%), Nordeste (16%), Centro-Oeste (12%) e Sul (8%). Quanto à religião, os evangélicos aparecem como o grupo mais afetado, com 21% dos apostadores evangélicos endividados, frente a 12% entre os católicos.
Os evangélicos também superam os católicos no acesso às plataformas de apostas: 29% dos evangélicos afirmaram já ter apostado, enquanto entre os católicos essa taxa foi de 22%.
Apostas esportivas e o avanço da regulamentação
As apostas esportivas foram legalizadas no Brasil em 2018, com a promulgação da Lei 13.756, que permitiu a prática sob determinadas condições. Em 2023, o Congresso aprovou uma nova regulamentação exigindo que as plataformas estejam devidamente cadastradas para operar no país.
Na semana passada, mais de dois mil sites de apostas que não obtiveram autorização do governo federal foram bloqueados. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) divulgou uma lista com as bets que deixaram de operar no Brasil.
O Congresso Nacional ainda avalia outras propostas relacionadas ao funcionamento dessas plataformas, com o objetivo de reduzir o impacto do endividamento entre os apostadores. Projetos de lei recentes buscam impedir que as pessoas utilizem cartões de benefícios sociais para apostar, e o governo federal também está envolvido nesse debate.
Durante a entrevista à Rádio Metrópole, o presidente Lula reforçou que a regulamentação é a primeira tentativa de controlar o setor, mas alertou que, se as apostas continuarem causando prejuízos à população, o governo pode optar por uma solução mais drástica.
“Nós escolhemos regulamentar o setor, mas se isso não funcionar, nós acabamos com as apostas no Brasil”, afirmou Lula. O presidente destacou que o objetivo é proteger os mais vulneráveis, especialmente crianças e jovens que podem ser atraídos pelas apostas online de forma descontrolada.



