Pesquisadora cria aplicativo para mulheres vítimas de violência em Juazeiro

Ferramenta permite compartilhamento imediato de localização com a Polícia Militar, mesmo sem internet ou créditos no celular.

Priscila Araújo, estudante de engenharia da computação da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), desenvolveu um aplicativo que possibilita às mulheres atendidas pela Ronda Maria da Penha em Juazeiro acionarem ajuda de forma discreta e imediata. O projeto foi orientado pelo professor Jadsonlee da Silva e surgiu a partir de sugestões dos próprios policiais da Ronda.

Foto: Edilson Almeida

“A motivação veio da solicitação da Ronda Maria da Penha de Juazeiro, que buscava uma solução ágil e discreta para que as mulheres assistidas pudessem pedir socorro em momentos de emergência. O projeto foi abraçado pelo coordenador do curso de Engenharia da Computação da Univasf, que me orientou durante o desenvolvimento”, explica Priscila.

Como funciona o aplicativo Viva

O aplicativo permite o envio de mensagens de socorro via WhatsApp ou SMS, utilizando a localização da usuária. Caso a mulher não tenha internet ou crédito, o app realiza automaticamente uma ligação para o 190. Além disso, a ferramenta dispõe de gatilhos de emergência, como três toques no botão liga/desliga, balançar o celular ou um botão na tela inicial do dispositivo.

De acordo com o professor Jadsonlee da Silva, iniciativas como essa têm grande impacto social. “A universidade tem o dever de contribuir com a sociedade por meio do ensino, pesquisa e extensão. Estamos colocando em prática o conhecimento acadêmico para resolver problemas reais da comunidade.”

A ferramenta está em fase de testes em parceria com a Ronda Maria da Penha de Juazeiro e tem previsão de lançamento no segundo semestre de 2025. Segundo Priscila, o objetivo é ampliar o alcance do aplicativo, levando a solução a outras cidades da Bahia e futuramente a todo o Brasil.

Contexto da violência na Bahia

Dados da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República mostram que 27 mulheres são vítimas de violência doméstica por dia na Bahia. Além disso, houve um aumento de 27,33% nas denúncias entre janeiro e julho de 2024, comparado ao mesmo período de 2023.

A criação do Viva surge como uma resposta a essa realidade alarmante, oferecendo uma ferramenta acessível e eficaz para ajudar mulheres em situações de emergência, devolvendo-lhes amparo e autonomia.

Bahia Faz Ciência

A iniciativa integra o projeto “Bahia Faz Ciência”, da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), que divulga semanalmente trabalhos de pesquisadores baianos que contribuem para a melhoria da vida da população.