Nesta quinta-feira (21), a Câmara de Vereadores de Vera Cruz realizou uma reunião com representantes da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) para tratar do grave problema de falta d’água que afeta o município. A situação, que já é crítica durante todo o ano, se agrava ainda mais no verão, quando a população da Ilha de Itaparica aumenta de 60 mil para cerca de 250 mil habitantes devido à alta temporada.
O encontro ocorreu às 10h30 na sede da Câmara Municipal e contou com a participação de vereadores, lideranças locais e representantes da Embasa. A reunião foi presidida pelo vereador Jorge Rasta, que destacou a urgência de uma solução para o problema.
“Somos uma cidade cercada de água, mas não temos água. Não é admissível que, no século XXI, moradores e turistas precisem recorrer à água mineral para tarefas básicas como tomar banho e lavar louça”, afirmou o presidente.
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Ele também mencionou os prejuízos econômicos e sociais causados pela falta d’água, como a interrupção de aulas em escolas municipais e a paralisação de serviços de saúde devido à falta de abastecimento.
Durante o encontro, o gerente regional da Embasa, Júlio César, apresentou as dificuldades enfrentadas pela empresa e apontou as principais causas do problema. Ele destacou que cerca de 54% da água produzida na ilha é perdida por fraudes e vazamentos, o que compromete o abastecimento. Além disso, apontou desafios relacionados à infraestrutura, como a necessidade de ampliar reservatórios e modernizar redes de distribuição.
“Estamos cientes das dificuldades e já temos projetos em andamento para ampliar a capacidade de abastecimento na ilha, incluindo a construção de novos reservatórios e o aumento da produção de água tratada. Além disso, estamos buscando parcerias com o setor privado para atender à alta demanda durante o verão”, afirmou Júlio César.
Ele também reforçou o compromisso da Embasa em melhorar a comunicação com a população e os representantes municipais.
Apesar das explicações, os vereadores cobraram medidas imediatas. O vereador João Paulo destacou que a falta d’água no réveillon foi um reflexo da má gestão e pediu um planejamento mais efetivo para o Carnaval, que também atrai grande número de turistas para a ilha.
“Não podemos continuar enfrentando os mesmos problemas todos os anos. A população precisa de respostas e soluções concretas”, disse o parlamentar.
Além disso, foi discutida a possibilidade de firmar um convênio entre a Embasa e a prefeitura para garantir reparos mais ágeis em vias públicas e evitar os atrasos causados pelas terceirizadas da empresa. Outro ponto destacado foi a necessidade de um atendimento emergencial às escolas, creches e unidades de saúde durante períodos de desabastecimento.
A reunião terminou com o compromisso da Embasa em apresentar um plano emergencial para o Carnaval e estreitar os canais de comunicação com a Câmara e a população. O presidente Jorge Rasta enfatizou que, caso as medidas propostas não sejam suficientes, a Câmara buscará o apoio do Ministério Público e outras instâncias para garantir o direito básico ao acesso à água.
“A paciência da população chegou ao limite. Não queremos justificativas, queremos soluções. A Embasa precisa entender que estamos falando de saúde, dignidade e qualidade de vida para o nosso povo”, concluiu o presidente da Câmara.




