O delegado Ricardo Amorim, titular da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decrim), compartilhou um relato pessoal sobre racismo durante participação no programa Mojubá, na última quinta-feira (13). Apesar de ocupar um cargo de autoridade, ele afirmou que continua sendo alvo de discriminação racial no cotidiano.

“Às vezes as pessoas olham pra mim e dizem: ‘Ricardo, você fala de racismo, mas você é delegado de polícia, então deve ser mais difícil ser vítima’. Mas as pessoas esquecem que eu sou preto todo dia, de segunda a segunda, 24 horas por dia”, declarou Amorim à Rádio Metrópole.
O delegado relatou um episódio ocorrido em uma farmácia, quando foi abordado por um homem que elogiou seu cabelo e, em seguida, insinuou que, por sua aparência, ele deveria ser “um servo do senhor”.
“Ele me perguntou o que eu fazia e eu disse: ‘Sou delegado de polícia’. Na mesma hora, ele travou, ficou sem graça. Então, ele disse que era preciso prender muita gente, e eu respondi: ‘Sim, eu prendo racistas’. A conversa acabou ali”, relatou.


