Bolsonaro autorizou venda de joias do acervo presidencial, diz Cid em delação

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) solicitou a venda de joias do acervo presidencial recebidas de autoridades estrangeiras, recebendo diretamente o valor das transações. Essas informações foram reveladas no acordo de delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles

Cid informou à Polícia Federal (PF) que atendeu ao pedido de Bolsonaro para realizar a venda das joias, com o dinheiro sendo trazido dos Estados Unidos em quantias menores após negociações com lojas locais. Entre os itens vendidos estavam relógios de luxo das marcas Rolex e Patek Philippe, que foram comercializados por US$ 68.000 na Filadélfia, além de um kit de joias que rendeu US$ 18.000 em Miami.

As vendas ocorreram até mesmo durante compromissos oficiais, como a participação de Bolsonaro na Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). Cid armazenou os itens nos Estados Unidos com a ajuda de seu pai, o general Mauro Cesar Lourena Cid, que também transportou parte do dinheiro para o Brasil. Segundo a PF, os pagamentos foram feitos em espécie para evitar registros bancários.

“QUE ao retomar ao Brasil entregou os U$ 18 mil ao ex-Presidente JAIR BOLSONARO; QUE apenas retirou os custos que teve com passagem aérea e aluguel do veículo; QUE o COLABORADOR ajustou com seu pai, General MAURO CESAR LOURENA CID, que o saque dos U$ 68 mil ocorreria de forma fracionada e entregue à medida que alguém conhecido viajasse dos Estados Unidos ao Brasil; QUE o dinheiro seria entregue sempre em espécie de forma a evitar que circulasse no sistema bancário normal”, diz a delação.

O tenente-coronel também revelou que, no dia 30 de dezembro, o ex-presidente levou para Miami uma mala contendo duas esculturas douradas  e um kit de ouro rosé, o qual foi recebido pelo então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, durante uma visita à Arábia Saudita. Segundo Cid, o ex-presidente também solicitou a venda desses itens. 

“QUE no mês de dezembro de 2022, o então Presidente JAIR BOLSONARO entregou uma mala para o COLABORADOR contendo duas esculturas douradas, de um barco e uma palmeira, e o kit de ouro rosé (recebido pelo então Ministro de Minas e Energia BENTO ALBUQUERQUE quando de sua visita a Arábia Saudita pelas autoridades desse país); QUE o ex-Presidente JAIR BOLSONARO indagou ao COLABORADOR se poderia vender todos os referidos bens que estavam na mala; QUE o COLABORADOR concordou em verificar a possibilidade de venda dos referidos bens; QUE ainda no Brasil, o COLABORADOR realizou as cotações para vender as joias que compunham o denominado kit de ouro rosé; QUE a mala contendo os bens foi embarcada no avião presidencial, no dia 30 de dezembro de 2023, juntamente com o ex-Presidente e sua comitiva, com destino aos Estados Unidos”, diz o documento.

Após o TCU (Tribunal de Contas da União) determinar a devolução dos itens ao acervo presidencial, foi organizada uma operação para que aliados do ex-presidente viajassem aos Estados Unidos com o objetivo de readquirir os produtos.