O economista e ex-BBB Gil do Vigor criticou a nova modalidade de crédito que permite o uso do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia para empréstimos consignados. Em um vídeo publicado na segunda-feira (24), ele alertou que a medida pode prejudicar trabalhadores em caso de demissão.

“Se você for demitido e precisar desse dinheiro, vai para o banco e você vai se lascar”, afirmou Gil. Ele explicou que, na nova modalidade, os bancos podem utilizar até 10% do saldo do FGTS e 100% da multa rescisória como garantia do empréstimo. Isso significa que, se o trabalhador perder o emprego, poderá ter menos recursos disponíveis para sua subsistência.
O governo defende que a medida ajudará a reduzir as taxas de juros do crédito consignado, atualmente em 2,89% ao mês, para cerca de 1,73%. No entanto, Gil alertou que, mesmo com essa redução, o custo do crédito ainda será alto. “Se você pegar R$ 10 mil emprestados, vai pagar quase R$ 7 mil só de juros”, exemplificou.
Outro ponto destacado pelo economista foi o nível de endividamento das famílias brasileiras. Segundo ele, em janeiro, 76% dos lares do país estavam endividados e 73 milhões de pessoas possuíam dívidas ativas, sendo que 30% estavam inadimplentes. Ele criticou a ideia de que crédito barato pode incentivar mais consumo, alertando que isso pode resultar em um endividamento ainda maior.
“O FGTS não é conta corrente, é um fundo garantidor”, reforçou Gil, destacando que o dinheiro deveria ser usado para garantir a segurança do trabalhador e não como garantia de empréstimos. “Se você for demitido, vai viver de quê?”, questionou.
O economista finalizou o vídeo recomendando que as pessoas avaliem com cautela suas decisões financeiras e se planejem antes de assumir novas dívidas.
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