Trump congela US$ 2 bilhões de Harvard após recusa em atender exigências do governo

Universidade se recusou a atender demandas do governo ligadas a protestos pró-Palestina e agora enfrenta suspensão de recursos e ameaças fiscais.

O governo Donald Trump congelou o repasse de US$ 2,2 bilhões em das instituições de ensino de maior prestígio no mundo, a Universidade de Harvard. A instituição se recusou a atender exigências impostas pelo Departamento de Educação. A decisão foi anunciada na segunda-feira (14), e comunicada horas depois de Harvard declarar que não cumpriria as novas exigências, segundo informou o Jornal Nacional.

Foto: Reprodução / Jornal Nacional

As medidas exigiam que Harvard proibisse a admissão de estudantes estrangeiros considerados “hostis” aos valores americanos, reformulasse cursos com histórico considerado antissemita, desse mais poder à polícia do campus e proibisse o uso de máscaras. Além disso, o governo Trump também solicitou o encerramento de programas de diversidade, igualdade e inclusão, a entrega de dados sobre alunos e professores, e a abertura de auditorias internas.

Em resposta, o reitor da universidade afirmou que, apesar de algumas exigências terem como objetivo o combate ao antissemitismo, a maioria representava uma intervenção direta nas condições intelectuais da instituição. “Nenhum governo, independentemente do partido no poder, deveria ditar o que universidades privadas podem ensinar”, declarou. Harvard reforçou que tem adotado medidas contra o antissemitismo há 15 meses e seus advogados alertaram que as exigências violam a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que garante a liberdade de expressão.

A verba congelada é parte dos US$ 9 bilhões que o governo federal repassa à instituição, recursos que financiam hospitais e pesquisas ligadas à saúde. Além do congelamento, Trump ameaçou nesta terça-feira (15) retirar a isenção fiscal da universidade.

O episódio ocorre em meio a críticas do governo sobre a atuação de universidades em protestos estudantis pró-Palestina realizados em 2024. Associações judaicas americanas registraram 1,4 mil atos antissemitas desde os ataques de 7 de outubro do Hamas, reconhecido oficialmente pelos Estados Unidos como organização terrorista.

O ex-presidente Barack Obama, ex-aluno de Harvard, elogiou a postura da universidade ao afirmar que ela deu o exemplo ao rejeitar o que chamou de tentativa ilegal de reprimir a liberdade acadêmica.

Casos semelhantes já ocorreram, como o congelamento de US$ 400 milhões destinados à Universidade de Columbia, em Nova York, que, após negociações e mudanças internas, ainda tenta recuperar o repasse.

A Universidade de Harvard é mais antiga que os Estados Unidos. Foi fundada mais de 100 anos antes da independência do país. Formou oito presidentes americanos, já foi residência de 45 prêmios Nobel e tem um fundo de investimento de US$ 53 bilhões, superior ao Produto Interno Bruto de quase 100 países.