Após críticas de servidores e funcionários das unidades escolares da rede municipal, a Secretaria de Educação de Valença recuou da medida que restringia o uso de celulares durante o expediente. A mudança foi oficializada nesta quinta-feira (9), com a publicação de uma retificação na Portaria Interna nº 11/2025.

O texto anterior determinava que os aparelhos deveriam ser armazenados em “local seguro e previamente designado pela Direção” e só poderiam ser acessados nos intervalos ou nos horários de entrada e saída. Com a alteração, os celulares agora devem ser “guardados junto aos seus pertences pessoais, em local seguro de sua escolha”.
Apesar da alteração, as demais disposições da portaria permanecem inalteradas. O novo texto é assinado pela secretária de Educação do município, Josenilde dos Santos Neri.

A portaria, publicada inicialmente na última segunda-feira (5), causou grande insatisfação entre os profissionais da educação. Embora a medida alegasse buscar maior produtividade e foco no ambiente escolar, professores e servidores classificaram a norma como excessivamente rígida e desrespeitosa.
“Eu me senti pequena, constrangida, sem direito, sem poder cumprir meu direito enquanto cidadã. Já pensou chegar no local de trabalho e encontrar um saco, uma vasilha, para recolher celular”, relatou uma professora da rede, que preferiu não se identificar.
Outro ponto criticado pelos servidores foi o tom subjetivo de alguns trechos da norma, com expressões como “urgência” ou “sem prejuízo”, que, segundo eles, poderiam abrir brechas para interpretações arbitrárias e possíveis abusos de autoridade. “Isso levanta o risco de abuso de autoridade ou perseguição em determinadas unidades escolares, especialmente onde já há histórico de conflitos entre gestão e servidores”, apontou um funcionário da educação municipal.
Os profissionais também contestaram a acusação implícita de que usariam o celular de forma indevida em sala de aula. “Não tem como um professor ficar com o celular na mão, de papo, em redes sociais, já que isso é uma das queixas (da prefeitura), uma vez que as salas de aula estão superlotadas e com várias crianças com autismo, TDAH. É praticamente impossível um professor parar de dar aulas para estar em rede social, conversando ou brincando”, desabafou outro docente.


