Sete meses após desaparecimento de jovens em Salvador, empresário acusado de duplo homicídio segue foragido

Marcelo Batista é réu por homicídio e ocultação de cadáver; audiência está marcada para 16 de junho, e famílias cobram justiça

Sete meses após o desaparecimento de Paulo Daniel Pereira Gentil do Nascimento, de 24 anos, e Matusalém Silva Muniz, 25, o principal suspeito do crime, o empresário Marcelo Batista da Silva, segue foragido. Ele é réu por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, após denúncia apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA).

Marcelo é dono do ferro-velho onde jovens trabalhavam — Foto: Redes sociais

Os dois jovens desapareceram no dia 4 de novembro de 2024, após saírem para trabalhar como diaristas em um ferro-velho localizado no bairro de Pirajá, em Salvador. A Polícia Civil já os considera mortos.

Marcelo Batista, dono do estabelecimento onde as vítimas trabalhavam há cerca de três semanas, foi denunciado junto ao soldado da Polícia Militar Josué Xavier Pereira. A Justiça acatou a denúncia do MP-BA no dia 31 de março deste ano, decretando novamente a prisão preventiva do empresário.

Segundo o Ministério Público, o crime foi cometido com crueldade, por motivo torpe e com recursos que impossibilitaram a defesa das vítimas. A denúncia ainda aponta tentativa de ocultação dos corpos, que até hoje não foram localizados.

Apesar de ter sido considerado foragido desde novembro, Marcelo havia obtido liberdade provisória em março, após decisão judicial que impôs medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de deixar o estado e comparecimento regular ao fórum. Como ele não cumpriu essas exigências, a Justiça determinou nova prisão. A defesa afirma que ele se apresentará “no momento oportuno”.

A audiência de instrução do caso está marcada para o dia 16 de junho. O processo corre em segredo de Justiça.

Famílias lutam por justiça

Marineide Pereira, mãe de Paulo Daniel, relata que dias antes do desaparecimento, os jovens foram acusados por Marcelo de furtar um gerador. Em entrevista à TV Bahia, a mãe negou qualquer envolvimento do filho com a criminalidade.
“Ele não é ladrão, vagabundo, marginal. Se ele fosse errado, teria que pagar pela Justiça, mas não é o caso,” afirmou emocionada.

Ela convive com a dor do desaparecimento e com a responsabilidade de cuidar do neto de 3 anos, filho de Paulo Daniel, que desde então vive sem notícias do pai.
“Ele já fez aniversário, viveu o primeiro dia de aula, aprendeu a falar — e tudo isso sem o pai,” desabafou Marineide.

O caso segue sendo investigado pelas autoridades, com acompanhamento próximo das famílias das vítimas, que clamam por justiça e respostas.