A sessão da Câmara de Vereadores de Nazaré, realizada na quinta-feira (5), reacendeu o debate sobre as denúncias envolvendo o programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) no município. O vereador Júnior Figueiredo, antes visto como aliado da antiga gestão, surpreendeu ao admitir irregularidades no programa e sugerir a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os fatos.

“Tem aluno fantasma sim. Isso aí já foi encaminhado ao Ministério Público e citado até pela Controladoria Geral da União”, declarou Júnior, ao comentar as suspeitas de que a gestão anterior teria inflado o número de matrículas para obter mais recursos federais.
O parlamentar criticou diretamente Pedro, ex-assessor da Secretaria de Educação, a quem comparou a PC Farias, figura emblemática de escândalos durante o governo Collor. Segundo Júnior, o assessor “não assinava documentos” e teria atuado politicamente para enfraquecer adversários locais.
A fala causou reação no plenário. O vereador Adriano Prazeres, opositor do governo anterior, reforçou que as denúncias ganham ainda mais credibilidade quando passam a ser reconhecidas por nomes que orbitavam politicamente a gestão passada.
“As irregularidades estão sendo mostradas por quem estava próximo da gestão. Pessoas que estavam ligadas e hoje comprovam que a denúncia feita por mim e pelo ex-vereador Zé Mota era verdadeira. Isso só reforça que os fatos estão vindo à tona”, afirmou Adriano.
Segundo ele, a denúncia inicial foi feita ainda em 2020, antes de assumir o mandato na Câmara: “Naquela época eu era um pré-candidato. Eu e Zé Mota fizemos a denúncia, que resultou na abertura das investigações pelo Ministério Público.”
O vereador Gilvan, conhecido como Chupado, também defendeu a necessidade de revisão dos dados do EJA: “É importante buscar essas informações passadas para realmente saber o que foi que houve para que esses valores caíssem tanto na educação do município.”
Em resposta às provocações da oposição, Júnior negou ter feito parte da administração municipal, embora tenha admitido ter apoiado politicamente o grupo: “Eu fui deputado, trabalhei pelo grupo, mas não participei. Eu não era funcionário, não indiquei ninguém, eu não entrei.”
Apesar de ainda não haver um pedido formal para abertura da CPI, a proposta de Júnior e os novos elementos apresentados durante a sessão podem acelerar a formalização da investigação legislativa. O caso promete esquentar os debates nas próximas sessões e movimentar os bastidores políticos de Nazaré.
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