O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (1º) que está aberto a conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre as recentes tensões comerciais entre Brasil e EUA. “Ele pode falar comigo quando quiser”, afirmou Trump durante entrevista coletiva em Washington, ao ser questionado pela correspondente Raquel Krähenbühl, da TV Globo, sobre a possibilidade de diálogo com o chefe do Executivo brasileiro.

Recentemente o presidente norte-americano assinou um decreto que estabelece tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, com validade a partir de 6 de agosto. A medida provocou reação imediata do governo brasileiro. Lula classificou o tarifaço como um ataque à soberania nacional e convocou ministros do STF, da Justiça e da AGU para discutir uma resposta jurídica à decisão americana. Segundo o presidente, a atitude do governo dos EUA representa uma “interferência inaceitável” em assuntos internos do Brasil.
Ao justificar as novas taxas, Trump mencionou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmando que ele estaria sofrendo uma “caça às bruxas” por parte do Judiciário brasileiro. Bolsonaro é réu no STF por suposta tentativa de golpe de Estado após perder as eleições de 2022.
A tensão aumentou ainda mais quando a Casa Branca enquadrou o ministro Alexandre de Moraes na Lei Magnitsky, utilizada para sancionar estrangeiros acusados de violar direitos humanos. A sanção impede Moraes de entrar nos EUA e bloqueia qualquer vínculo com instituições financeiras americanas.
Nos bastidores, Lula avalia que a sanção a Moraes é uma retaliação não apenas ao ministro, mas ao Judiciário brasileiro como um todo. O discurso em defesa da soberania e da independência entre os Poderes tem repercutido positivamente, segundo pesquisas que indicam alta na popularidade do governo.




