Prefeito no Maranhão não paga professores e culpa tarifaço de Trump

Sindicato critica justificativa da gestão e vê tentativa de encobrir problemas financeiros locais

A Prefeitura de Pedro do Rosário (MA) decidiu adiar o pagamento dos valores retroativos reivindicados pelos servidores públicos municipais, atribuindo a medida a impactos orçamentários causados pela nova política tarifária dos Estados Unidos. Em ofício enviado ao Sindicato dos Trabalhadores da Administração e do Serviço Público Municipal (SINTASPMPR), o prefeito Domingos Erinaldo, o Toca Serra (PcdoB), justificou o adiamento pelo aumento de 50% nas tarifas sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano, decisão anunciada pelo então presidente Donald Trump.

O prefeito Domingos Erinaldo (PcdoB), mais conhecido como Toca Serra Crédito: Divulgação

Com cerca de 24 mil habitantes, o município não registrou nenhuma exportação em 2025, conforme dados do Monitor do Comércio Exterior Brasileiro. Apesar disso, a gestão afirmou que o adiamento é uma medida de precaução diante do cenário internacional incerto, que poderia impactar diretamente as finanças locais. O ofício ressalta ainda a possibilidade de queda na arrecadação federal e, consequentemente, nos repasses aos municípios, como Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e Fundeb. “Por prudência, a municipalidade optou por adiar o pagamento dos retroativos até que haja melhora no cenário internacional, evitando o descumprimento do calendário de pagamento dos salários dos servidores públicos”, destaca o documento.

A prefeitura também afirmou que já implantou direitos como promoções, progressões e quinquênios para a categoria. No entanto, a explicação não foi aceita pelo sindicato, que reagiu com duras críticas. Em nota, o SINTASPMPR classificou a justificativa como “um insulto à inteligência” dos trabalhadores e afirmou que a política externa dos Estados Unidos não tem relação direta com a execução da folha de pagamento de um município do interior do Maranhão. Para o sindicato, a alegação seria uma tentativa de ocultar problemas internos de gestão e desequilíbrio fiscal.

O ofício inicial da prefeitura usava equivocadamente o termo “importação” ao se referir à movimentação de produtos brasileiros para os EUA, sendo posteriormente corrigido para “exportação”. Mesmo diante da controvérsia, o prefeito Toca Serra reafirmou o compromisso com a regularidade do pagamento dos salários. “O município de Pedro do Rosário mantém o calendário de pagamento dos servidores públicos rigorosamente em dia”, garantiu em comunicado oficial.