
O SS Medina, navio a vapor lançado em 1914 nos Estados Unidos, dois anos após o Titanic, acaba de ganhar uma nova vida. O navio foi transformado em um hotel de luxo na ilha de Bintan, na Indonésia, após uma reforma de US$ 18 milhões. O empresário singapurense Eric Saw investiu cerca de 23 milhões de dólares de Singapura (aproximadamente R$ 97,7 milhões) ao longo de 15 anos para adaptar a embarcação, que recebeu o nome de Doulos Phos, expressão grega que significa “Servo da Luz”. A informação foi apurada pela CNN.
Originalmente, o navio foi utilizado para transporte de cebolas e outros produtos. Durante a Segunda Guerra Mundial, foi convocado para auxiliar os Estados Unidos e, anos depois, convertido em embarcação de passageiros com diferentes nomes, como SS Roma e MS Franca C. Em 1977, foi comprado por uma organização cristã e passou a se chamar MV Doulos, atuando como navio missionário e biblioteca flutuante. Ao longo de três décadas, percorreu mais de 360 mil milhas náuticas e visitou mais de 100 países. Em 1991, chegou a ser alvo de um ataque com granadas por separatistas nas Filipinas, episódio que resultou em duas mortes.
O projeto de transformação do navio em hotel enfrentou atrasos. A primeira inauguração ocorreu em 2019, mas as restrições de viagem impostas pela Indonésia e por Singapura, em razão da pandemia, suspenderam as operações. Com a retomada do turismo em 2023, o hotel foi reaberto e está em funcionamento.
Atualmente, o Doulos Phos conta com 93 cabines distribuídas em vários compartimentos, com diárias que variam entre 1,7 milhão e 3,8 milhões de rúpias indonésias (entre R$ 572 e R$ 1.278). A embarcação recebeu novos sistemas de encanamento, elétrica, elevadores e rotas de fuga, mas preserva elementos originais, como botes salva-vidas, a casa de máquinas e parte das cabines.
“Se eu não tivesse esse projeto, talvez tivesse uma Ferrari e uma Lamborghini em casa, e estaria velejando pelo mundo todo ano com a minha família”, declarou Eric Saw à CNN. Ele também afirmou que a decisão de reformar o navio foi “um chamado de Deus”.
O hotel recebe hóspedes interessados tanto na experiência de hospedagem quanto na preservação histórica. Alguns visitantes chegam a recriar a famosa cena do filme “Titanic” nos conveses superiores.
Segundo Saw, todas as modificações são reversíveis, o que permitiria ao navio voltar ao mar no futuro. “Ela pode durar mais 111 anos”, disse o empresário.



