
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou nesta terça-feira (9) que o governo do presidente Donald Trump adotou sanções e tarifas contra o Brasil como forma de proteger a liberdade de expressão. Segundo ela, os EUA não hesitarão em usar seu poder econômico e militar para defender esse direito fundamental “ao redor do mundo”.
A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa, em resposta a uma pergunta sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). Leavitt foi questionada se o governo americano planeja impor novas sanções ao Brasil, além de a outros países europeus acusados de censura, conforme sugerido pelo jornalista Michael Shellenberger, que é defensor da liberdade de expressão e crítico do ministro Alexandre de Moraes.
“É por isso que tomamos ações significativas em relação ao Brasil, na forma de sanções e também utilizando tarifas, para garantir que países ao redor do mundo não punam seus cidadãos dessa forma”, afirmou Leavitt.
A representante do governo Trump reforçou que essa é uma prioridade da atual administração. “O Presidente não tem medo de usar o poder econômico e o poder militar dos Estados Unidos da América para proteger a liberdade de expressão ao redor do mundo”, concluiu.
Embora a Embaixada dos EUA no Brasil tenha compartilhado o vídeo com a fala completa da porta-voz em sua conta oficial no X (antigo Twitter), o trecho referente ao uso do poder militar não foi mencionado na legenda que acompanha a publicação.
A fala ocorre em meio ao julgamento de oito réus no STF, entre eles Bolsonaro, acusados de participar de uma tentativa de golpe para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A expectativa é de que o julgamento seja concluído até o final desta semana, e aliados do ex-presidente já especulam sobre uma nova rodada de sanções americanas, incluindo cassações de vistos.
Também nesta terça-feira, a embaixada dos EUA replicou uma publicação com críticas ao ministro Alexandre de Moraes, feita originalmente por Darren Beattie, subsecretário para Diplomacia Pública do Departamento de Estado dos EUA — órgão equivalente ao Ministério das Relações Exteriores. A postagem foi divulgada enquanto Moraes emitia seu voto no julgamento de Bolsonaro.
“Dia 7 de setembro marcou o 203º Dia da Independência do Brasil. Foi um lembrete do nosso compromisso de apoiar o povo brasileiro que busca preservar os valores de liberdade e justiça”, afirmou a representação americana na rede social.
“Para o ministro Alexandre de Moraes e os indivíduos cujos abusos de autoridade têm minado essas liberdades fundamentais — continuaremos a tomar as medidas cabíveis.”
As declarações e movimentações diplomáticas ocorrem em um cenário de crescente tensão entre os EUA e o Brasil, especialmente após manifestações pró-Bolsonaro realizadas no último domingo (7) em São Paulo, nas quais apoiadores carregaram bandeiras americanas em sinal de aliança com o governo Trump.
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