Especialista alerta sobre riscos do metanol em bebidas adulteradas e explica como diferenciar intoxicação de ressaca

A médica Andrea Canário destacou que a ingestão de metanol é uma emergência médica grave e que os sintomas podem ser confundidos com os de uma ressaca comum.

Dra. Andrea Canário, gastroenterologista no ISARE- imagem: reprodução

A médica Andrea Canário, uma das poucas especialistas da área em Santo Antônio de Jesus, fez um alerta sobre os riscos do metanol em bebidas adulteradas, após o surgimento de casos suspeitos na Bahia e em outros estados do país. Segundo ela, embora os dois casos investigados no estado não tenham sido confirmados, a preocupação é legítima e exige atenção redobrada dos consumidores e das autoridades sanitárias.

“A intoxicação pelo metanol é uma emergência médica causada pela ingestão dessa substância altamente tóxica ao organismo. Ela está presente não só em bebidas adulteradas, mas também em solventes, combustíveis, tintas e vernizes”, explicou a médica.

De acordo com Andrea, o organismo transforma o metanol em metabólitos tóxicos, que afetam principalmente o sistema nervoso central e a visão, com sintomas que aparecem entre 8 e 24 horas após a ingestão. Entre os sinais estão náuseas, vômitos, dor abdominal e visão borrada — o que leva muitas pessoas a confundir o quadro com uma simples ressaca.

“Em alguns centros é possível fazer a dosagem sérica do metanol para confirmar a intoxicação, mas esse exame ainda não está disponível em todo o país pelo SUS”, disse.

A especialista ressaltou que a intoxicação por metanol pode causar desmaios, coma e até cegueira, com risco de danos irreversíveis. Ela reforçou a importância de não consumir bebidas de procedência duvidosa e alertou também para o consumo excessivo de álcool comum (etanol).

“Mesmo o etanol presente nas bebidas permitidas não tem uma dose segura. Isso varia conforme a metabolização de cada pessoa e as doenças pré-existentes, como gordura no fígado”, alertou Andrea Canário.