Governo cria CEP para favelas e beneficia mais de 16 milhões de brasileiros

Programa CEP para Todos antecipa meta e garante endereços oficiais a mais de 12 mil comunidades em todo o país.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Mais de 12 mil favelas e comunidades urbanas em todo o Brasil passaram a contar, pela primeira vez, com um Código de Endereçamento Postal (CEP). A medida faz parte do programa CEP para Todos, criado pelo governo federal dentro do Programa Periferia Viva, e que foi antecipado em mais de um ano em relação ao cronograma inicial.

O anúncio foi feito na quarta-feira (8) pelo ministro das Cidades, Jader Filho, durante o seminário Da Moradia ao Território: reconhecendo as periferias brasileiras. Segundo o ministro, o avanço representa uma conquista histórica para milhões de brasileiros que vivem em áreas antes invisíveis aos serviços públicos.

“Mais do que um número, ter CEP é possibilitar dignidade para as pessoas que estão nas periferias e que não tinham acesso ao básico, como levar seus filhos a um posto de saúde próximo de casa, por exemplo”, afirmou Jader Filho.

De acordo com o Ministério das Cidades, a primeira etapa do programa, chamada de Meta 1, garantiu um CEP geral para cada uma das 12.348 favelas e comunidades identificadas pelo IBGE, beneficiando cerca de 16,3 milhões de pessoas em 656 cidades — o equivalente a 8,1% da população nacional.

O ministro destacou que a iniciativa simboliza um esforço de reparação social. “Essa é mais uma dívida histórica que está sendo reparada pelo Governo do Brasil”, declarou.

O secretário Nacional de Periferias, Guilherme Simões, reforçou o caráter simbólico e prático do projeto. “Estamos reparando um erro que demorou mais de 500 anos para ser corrigido, e não vamos parar. O CEP é só uma parte da nossa proposta de inclusão para garantir dignidade às pessoas que moram nas favelas”, afirmou em nota.

Com a primeira etapa concluída, o governo inicia agora o mapeamento interno das comunidades, para identificar ruas, vielas e becos que receberão CEPs específicos por logradouro.

Nas próximas fases, o programa priorizará 59 territórios do Periferia Viva, que já contam com ações do Ministério das Cidades e abrangem mais de 300 comunidades.

A última etapa prevê a instalação de postos e agências dos Correios em 100 favelas selecionadas de acordo com a infraestrutura local. A meta é garantir não apenas o CEP, mas também o acesso físico a serviços postais, consolidando o direito à cidadania e à visibilidade territorial das periferias brasileiras.