Uso da internet nas escolas por crianças e adolescentes cai em 2025 após restrição de celulares

Pesquisa TIC Kids Online Brasil aponta recuo de 51% para 37% no acesso à internet em escolas; lei que limita uso de celulares pode ter influenciado resultado.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O uso da internet por crianças e adolescentes nas escolas caiu em 2025, segundo o estudo TIC Kids Online Brasil 2025, divulgado nesta quarta-feira (22) em São Paulo. O levantamento revelou que a proporção de jovens entre 9 e 17 anos que acessam a rede dentro do ambiente escolar recuou de 51% em 2024 para 37% este ano.

De acordo com Luísa Adib, coordenadora da pesquisa, a queda pode estar relacionada à lei que restringiu o uso de celulares nas escolas, aprovada no início do ano. “A gente começou a coleta da pesquisa em março, quando a medida de restrição de celular nas escolas já tinha sido implementada. Então, a gente pode ver uma relação entre a restrição do celular e a queda do acesso à internet na escola”, explicou em entrevista à Agência Brasil.

Adib também destacou que o recuo reflete o debate político sobre a proteção digital de crianças e adolescentes, intensificado nos últimos meses. “Acho que elas são influenciadas também pelo debate político que está muito centrado e muito forte na agenda de proteção de crianças e adolescentes e o ambiente digital. (…) Acho que uma parte [dessa queda] pode ser explicada pela regulamentação, como no caso das escolas, que já aconteceu, mas também pelo debate político”, afirmou.

O estudo, conduzido pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), ligado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), indicou que 92% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos têm acesso à internet no país — número estável em relação aos dois anos anteriores. Isso representa cerca de 24,6 milhões de jovens que usaram a rede nos últimos três meses.

Apesar da estabilidade geral, houve mudanças nas formas de uso: o celular segue como o principal meio de acesso (96%), seguido por televisão (74%), computador (30%) e videogame (16%). A maioria (84%) acessa a internet de casa várias vezes ao dia, enquanto apenas 12% afirmam fazer o mesmo na escola.

Entre as principais atividades online estão pesquisas escolares (81%), buscas por temas de interesse (70%), notícias (48%) e informações sobre saúde (31%). Já o percentual de crianças e adolescentes que nunca acessaram a internet subiu para 710 mil em 2025, contra 492 mil no ano anterior.

A pesquisa também mostrou que 46% dos jovens assistem a vídeos de influenciadores digitais, muitas vezes com conteúdos ligados ao consumo e até jogos de apostas. Diante disso, Adib reforçou a importância da mediação ativa dos pais e responsáveis. “Quando há diálogo e acompanhamento das práticas que a criança realiza, isso tende a ter resultados mais efetivos”, ressaltou.

O levantamento ouviu 2.370 crianças e adolescentes e o mesmo número de pais e responsáveis em todas as regiões do país, entre março e setembro de 2025. A pesquisa é realizada anualmente desde 2012, com exceção de 2020, devido à pandemia de Covid-19.