
O senador Flávio Bolsonaro sugeriu, em publicação feita nesta quinta-feira (23) no X (antigo Twitter), que os Estados Unidos ataquem barcos supostamente carregados com drogas no Rio de Janeiro. A declaração foi uma resposta a um post do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que anunciou ataques americanos a embarcações no Oceano Pacífico.
“Ouvi dizer que há barcos como este aqui no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara, inundando o Brasil com drogas. Você não gostaria de passar alguns meses aqui nos ajudando a combater essas organizações terroristas?”, escreveu Flávio Bolsonaro. Na versão em inglês, o senador iniciou o post com a frase “How envious!” (“Que inveja!”).
Os ataques citados por Hegseth ocorreram nesta semana, deixando cinco mortos. O primeiro, na terça-feira (21), matou dois supostos narcotraficantes na costa da América do Sul. O segundo, realizado na quarta (22), resultou na morte de três pessoas. Segundo o secretário, as operações foram conduzidas sob ordem do presidente Donald Trump e atingiram embarcações “narcoterroristas” em águas internacionais.
Apesar da justificativa americana, o governo dos Estados Unidos não apresentou provas sobre os alvos abatidos. As ações representam uma nova escalada militar no combate ao tráfico marítimo, especialmente após semanas de ofensivas semelhantes no Caribe. O episódio também ampliou tensões diplomáticas com a Colômbia — país banhado pelo Pacífico — e críticas ao governo Trump, sobretudo após o presidente colombiano Gustavo Petro afirmar que “a solução para a crise seria tirar Trump do poder”.
Especialistas e governos da região condenaram as ofensivas americanas, apontando violação do direito internacional. O jurista e colunista do UOL, Wálter Maierovitch, classificou as ações como atos de guerra. “Isso está em mar internacional, onde ninguém pode atacar nada. A maneira com que ele (Donald Trump) está fazendo é absolutamente contrária ao previsto no direito internacional. Ele está fazendo uma guerra, por presunção de que ali naquela embarcação tem drogas”, afirmou.




