
O governo de Israel proibiu nesta quarta-feira (29) o acesso do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) a prisioneiros palestinos detidos na Faixa de Gaza e em áreas próximas. A decisão foi assinada pelo ministro da Defesa, Israel Katz, sob o argumento de que as visitas representariam um “risco à segurança do Estado”.
A medida atinge milhares de palestinos classificados por Israel como “combatentes ilegais” — categoria jurídica que permite prisões sem provas apresentadas em tribunais públicos e sem direito de defesa. Segundo o Serviço Prisional Israelense, mais de 2.400 palestinos estavam nessa condição em julho de 2025.
Advogados palestinos e entidades de direitos humanos denunciam tortura, fome, espancamentos e negligência médica em centros de detenção israelenses.
Em resposta, o Hamas classificou a decisão como uma “violação de um direito fundamental” e acusou Israel de cometer “violências sistemáticas criminosas” contra o povo palestino.
O grupo afirmou ainda que a proibição fere a legislação humanitária internacional e descumpre a 3ª Convenção de Genebra, que define regras para o tratamento de prisioneiros de guerra.
“A decisão se soma às séries de violências criminosas sofridas pelos palestinos”, afirmou o movimento islâmico em comunicado, pedindo a intervenção da comunidade internacional e a responsabilização dos líderes israelenses por crimes contra a humanidade.
A proibição ocorre em meio à continuidade do conflito entre Israel e o Hamas, que desde outubro de 2023 já deixou mais de 68.600 mortos — em sua maioria mulheres e crianças — e 170.600 feridos, de acordo com dados da ONU.
A decisão também veio após o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ordenar novos bombardeios em Gaza, acusando o Hamas de violar o acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos.
Apesar dos ataques, o Exército israelense declarou nesta quarta-feira (29) que manterá o cessar-fogo, mesmo após a ofensiva que resultou na morte de 104 pessoas.
Com a nova restrição, organizações internacionais alertam para uma crise humanitária agravada e o isolamento crescente dos prisioneiros palestinos, privados de acesso a assistência médica e monitoramento independente.




