“Gratidão não prescreve”, diz Tarcísio ao elogiar Bolsonaro durante posse no TCE-SP

Governador também fez aceno ao Judiciário paulista após semanas de atrito com o ministro Alexandre de Moraes

Tarcísio Freitas e Bolsonaro
Foto: reprodução

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta sexta-feira (7) que sua gratidão ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) “não prescreve” e fez elogios ao Judiciário paulista. A declaração ocorreu durante a posse do ex-controlador-geral da União, Wagner Rosário, como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP).

A fala surge dias após Tarcísio ter feito críticas duras ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo sobre a tentativa de golpe no STF. Apesar de ser cotado para disputar a Presidência em 2026, em meio à ausência de Bolsonaro da corrida eleitoral, o governador voltou a negar candidatura e reforçou que tentará a reeleição em São Paulo.

“Gratidão é algo que não prescreve, não vai prescrever nunca. Por isso sou muito grato a tudo, muito grato por tudo”, afirmou.

A cerimônia ocorreu no mesmo dia em que o STF iniciou o julgamento de recursos de Bolsonaro na condenação por tentativa de golpe de Estado. O ex-presidente foi sentenciado a 37 anos de prisão e cumpre prisão domiciliar desde agosto, por descumprimento de medidas cautelares impostas por Moraes.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou da posse e se emocionou ao ouvir Rosário mencionar seu pai. O ex-ministro chorou por três vezes durante o discurso.

“Aqui, Flávio, faço uma homenagem ao seu pai […] Gostaria de contar hoje com a presença dele aqui nesse auditório, mas eu confio muito nas instituições brasileiras e sei que em breve ele estará conosco”, disse Rosário.

A indicação para o TCE-SP foi feita por Tarcísio, que estudou com Rosário na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman). Antes de assumir a vaga, Rosário ocupava o cargo de controlador-geral do Estado.

Último a discursar, Tarcísio fez afagos ao sistema de Justiça paulista e disse que “São Paulo tem dado um grande exemplo de Poderes que são harmônicos”. O gesto ocorre após o governador ensaiar uma reaproximação com ministros do Supremo, semanas depois de ter chamado Moraes de “tirano” durante ato no 7 de Setembro, na Avenida Paulista.

Entre os presentes à cerimônia estavam o ministro do STF André Mendonça, indicado por Bolsonaro à Corte, e o senador Rogério Marinho (PL-RN), ex-ministro do governo bolsonarista. A pedido de Rosário, Mendonça fez uma oração ao lado de um padre.

Após o evento, Flávio Bolsonaro seguiu para Atibaia, onde participou da inauguração da sede regional do PL, presidido por seu advogado no caso das “rachadinhas”, Frederick Wassef.

A cadeira ocupada por Rosário era antes do ex-conselheiro Antônio Roque Citadini, aposentado em agosto. Sua indicação foi aprovada pela Alesp ao fim de setembro, após tentativas frustradas e obstruções da oposição.

Rosário enviou seu nome ao Legislativo paulista no mesmo dia em que começou o julgamento de Bolsonaro no STF. Ele foi um dos participantes da reunião ministerial de julho de 2022, na qual o ex-presidente teria orientado ministros a desacreditarem as urnas eletrônicas.