Oposição acusa base do governo de blindar irmão de Lula na CPI do INSS

Deputados citam suposta proteção a Frei Chico, dirigente do Sindnapi e alvo de investigação da PF por descontos irregulares em benefícios.

José Ferreira da Silva, o Freio Chico, é irmão do presidente Lula (PT). — Foto: Divulgação/Instituto Lula

A sessão da CPI do INSS, realizada nesta quinta-feira (13), foi marcada por críticas da oposição, que acusou parlamentares da base governista de “blindar” aliados na investigação sobre fraudes em aposentadorias e pensões. Entre os nomes citados está o de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Frei Chico é vice-presidente do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), entidade alvo da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura descontos irregulares aplicados a beneficiários do INSS. No mês passado, a base do governo na CPI barrou um requerimento para convocá-lo a depor.

Durante a sessão, o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) criticou a atuação da base aliada e cobrou mais transparência na condução da investigação.

“Precisa ser exposto aqui todos que estão blindando. Que dizem estar dispostos a investigar, mas na hora de votar blindaram. Que mudem de atitude agora e passem a votar de acordo com a Bíblia, buscando a verdade e o esclarecimento dos fatos, e não blindando investigados como Frei Chico e tantos outros.”

O parlamentar afirmou que a convocação de todos os envolvidos é fundamental para garantir a credibilidade da CPI.

O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), também atacou o que considera uma tentativa de proteger nomes ligados ao governo. Ele voltou a citar o irmão do presidente.

“Não adianta blindar na CPMI porque tem outra investigação em curso. Tem muita gente que precisa ser retirada debaixo do tapete, seja de onde for. Frei Chico e tantos outros que estão blindados, mas a investigação está indo por caminhos colaterais.”

Gaspar afirmou que o trabalho da CPI não será prejudicado por “proteções políticas” e garantiu que outras frentes de apuração seguirão em curso.