
O Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher, celebrado em 25 de novembro e instituído pela ONU, reacende o debate global sobre a necessidade urgente de combater a violência de gênero. A data homenageia as irmãs Mirabal, assassinadas em 1960 na República Dominicana por ordem do ditador Rafael Trujillo, e se tornou símbolo da luta pelos direitos das mulheres.
Neste contexto, a Ouvidoria para Elas do TJDFT destacou a gravidade dos índices nacionais. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou em 2024 o maior número de feminicídios desde que o crime foi tipificado, em 2015. Foram 1.492 mulheres assassinadas, média de quatro mortes por dia. O país também contabilizou 87.545 casos de estupro e estupro de vulnerável, o equivalente a uma mulher violentada a cada seis minutos.
O panorama evidencia a necessidade de ampliar o debate e o engajamento dos homens na prevenção desse tipo de violência. O Anuário de Segurança Pública 2024 retomou dados da pesquisa “Percepção dos Homens sobre a Violência Doméstica Contra a Mulher”, realizada pelo Instituto Avon em parceria com o Data Popular. Segundo o levantamento, 16% dos homens admitem ter sido violentos com suas parceiras ou ex-parceiras. No entanto, quando as perguntas são feitas sem enquadrar os atos como violência, esse percentual sobe para 56%, que relatam já ter praticado agressões como xingamentos, empurrões, ameaças, tapas, socos, humilhações públicas, restrição de saída de casa ou relações sexuais forçadas.
Os dados revelam como comportamentos violentos ainda são naturalizados em relações afetivas, deixando de ser reconhecidos como crime. A invisibilidade desse padrão cultural contribui para a manutenção da violência e dificulta a construção de ambientes mais seguros para as mulheres.
Especialistas reforçam que ampliar o diálogo com os homens é essencial para transformar percepções e desconstruir práticas normalizadas. Incluir toda a sociedade na luta é um passo estratégico para fortalecer políticas públicas, promover prevenção e consolidar valores de respeito, igualdade e justiça.




