Criadouro baiano rebate acusações do ICMBio e contesta multa de R$ 1,8 milhão

Foto: Miguel Monteiro

O Criadouro Ararinha-azul, localizado em Curaçá (BA), negou neste domingo (30) as acusações feitas pelo ICMBio sobre falhas em protocolos de biossegurança. O órgão federal havia apontado problemas como comedouros sujos, ausência de desinfecção adequada, acúmulo de fezes ressecadas e funcionários realizando manejo usando chinelos, bermuda e camiseta, sem os EPIs obrigatórios.

Em nota enviada ao Bahia Notícias, a administração do criadouro classificou as alegações como infundadas. Segundo a entidade, o plantel atual reúne 103 ararinhas-azuis, das quais 98 testaram negativo para circovírus nos exames mais recentes. Outras cinco apresentaram resultado positivo em ao menos um teste.

A organização afirmou que adota protocolos rígidos de biossegurança e mantém equipe formada por veterinários e especialistas brasileiros e estrangeiros, com mais de 15 anos de experiência contínua na conservação da espécie. Sobre as 11 ararinhas de vida livre recapturadas, o criadouro disse que elas já estão contabilizadas entre as 103 aves sob seus cuidados.

Em relação aos testes, a empresa apresentou divergências entre metodologias. De acordo com o comunicado, três exames foram realizados por ave — dois PCR convencionais e um PCR em tempo real. Os métodos tradicionais, inclusive em laboratório do governo, indicaram 2 a 3 aves positivas, enquanto o PCR em tempo real apontou positividade nas 11 recapturadas. Todas as aves com qualquer detecção foram isoladas, com manejo, utensílios e equipe exclusivos.

O criadouro também confirmou que contestou a multa de R$ 1,8 milhão aplicada pelo ICMBio e afirma não ter recebido o laudo técnico completo que embasa a autuação. A entidade solicitou acesso integral ao processo e uma reunião técnica com laboratórios e autoridades para reavaliar os exames.

Para a instituição, responsabilizar o criadouro sem uma análise mais profunda ignora a complexidade sanitária do caso e pode desestimular iniciativas privadas de conservação da ararinha-azul, espécie símbolo da Caatinga e considerada criticamente ameaçada.