
Um turista italiano de 16 anos foi a primeira vítima identificada no incêndio que atingiu o bar La Constellation, em uma estação de esqui em Crans-Montana, nos Alpes suíços. O caso ocorreu durante uma festa de réveillon, e o número de mortos chegou a 47, segundo autoridades europeias.
A morte do jovem Emanuele Galeppini foi anunciada na quinta-feira pela Federação Italiana de Golfe, entidade à qual ele era filiado como atleta. Enquanto isso, autoridades suíças realizam a remoção dos corpos e iniciam o processo oficial de identificação das vítimas, além de apurar as causas do incêndio. Segundo as investigações iniciais, uma das hipóteses envolve o uso de sinalizadores no interior do estabelecimento.
“Neste momento de grande consternação, os nossos pensamentos estão com a sua família e todos os que gostavam dele [Galeppini]”, afirmou a Federação Italiana de Golfe, que descreveu o jovem como um “atleta apaixonado e com valores autênticos”.
De acordo com a agência de notícias francesa AFP, os corpos das vítimas começaram a ser levados para um centro funerário na cidade de Sion por volta das 11h, no horário local, 07h em Brasília. Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, informou que o balanço atualizado aponta 47 mortos, número que ainda pode aumentar, considerando a gravidade do estado de parte dos feridos entre os cerca de 115 socorridos.
Segundo Tajani, em declarações citadas pela agência ANSA, o governo italiano acompanha de perto as operações em Crans-Montana, já que muitas das pessoas que estavam no bar atingido pelo incêndio eram de nacionalidade italiana.
Equipes de emergência continuam atuando na área da estação de esqui, enquanto governos de diferentes países mantêm cooperação para prestar apoio às famílias das vítimas. Os feridos foram encaminhados para hospitais em Lausanne, Genebra e Zurique, além de unidades na França e na Itália. Uma célula de crise foi instalada no centro de convenções de Crans-Montana para atender familiares e fornecer informações.
Embora as identidades ainda não tenham sido confirmadas oficialmente por Zurique, países europeus começaram a divulgar dados sobre as vítimas, em sua maioria turistas. O Ministério das Relações Exteriores da França informou que nove cidadãos franceses estão entre os feridos, e oito seguem sem localização confirmada. A Itália contabiliza 15 feridos e um número semelhante de desaparecidos.
Enquanto o processo de identificação avança, o que pode levar tempo devido às condições dos corpos, uma linha principal de investigação começa a se consolidar. Imagens do interior do bar, uma estrutura de dois andares com um subsolo, indicam que sinalizadores colocados em garrafas de champanhe podem ter iniciado o incêndio, quando as chamas atingiram o teto e se espalharam pelo ambiente. Segundo relatos, o uso de pirotecnia era comum no local.
As paredes dos edifícios próximos não apresentavam danos visíveis, e a placa do bar permanecia intacta, assim como a estrutura de madeira da varanda, o que reforça a hipótese de que o fogo tenha se concentrado no subsolo. Testemunhas relataram que algumas pessoas tentaram quebrar janelas para escapar, enquanto outras, com queimaduras, conseguiram chegar à rua.
O presidente da Suíça, Guy Parmelin, que assumiu o cargo na quinta-feira, classificou o episódio como “uma calamidade de proporções sem precedentes e aterrorizantes” e determinou que as bandeiras do país permaneçam a meio mastro por cinco dias. Já o presidente do governo regional de Valais, Mathias Reynard, afirmou ao jornal Walliser Bote que, entre os 115 feridos, pelo menos 80 estão em estado crítico.
O Papa Leão XIV enviou uma mensagem ao bispo de Sion, manifestando compaixão e solidariedade às famílias das vítimas do incêndio.



