O mais recente documento solicitando o impeachment da presidente Dilma Rousseff que foi entregue à Câmara dos Deputados na última semana tem gerado discussões entre os parlamentares em Brasília. O requerimento protocolado por oposicionistas e pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Junior foi acolhido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que analisará o pedido.
Oposição e governo travam o embate sobre o tema que tem se tornado cada vez mais frequente nos discursos em tribuna e nos corredores do Congresso. O argumento da oposição é de que Dilma Rousseff deve responder às supostas irregularidades orçamentárias ocorridas ainda no seu primeiro mandato. ?A lei do impeachment foi feita antes do direito à reeleição, portanto, acredito que a presidente deve responder por irregularidades mesmo que essas tenham sido cometidas no mandato anterior?, afirma o deputado Jutahy Magalhães (PSDB ?BA).
De outro lado, os parlamentares da situação pontuam que a política fiscal adotada pela presidente não é exclusiva da atual gestão federal. ?Eles alegam crime de responsabilidade na gestão orçamentária, o que eles chamam de pedaladas fiscais, mas não houve nenhuma ilegalidade, já que o Tribunal indicou aprovação de contas com essa prática antes do governo de Dilma e do de Lula, no governo do PSDB?, afirma o deputado Afonso Florence (PT ? BA).
Se de um lado os aliados ao Governo enxergam o desgaste da imagem da presidente como consequência da crise econômica, a oposição acusa a gestão da presidente Dilma de ser a causa do colapso financeiro.
?O Brasil está passando por uma crise econômica gigantesca, um desemprego massivo, principalmente entre os jovens. A inflação voltou de forma muito violenta, atingindo os mais pobres. Basta ver as dificuldades das famílias em pagar a conta de luz, o botijão de gás, a ida ao supermercado, o aumento de combustível e tudo que disseram que não existiria?, afirma Jutahy, que acredita que o impeachment é o caminho legal e constitucional para superar as dificuldades do país.
Já o deputado Afonso Florence questiona os reais interesses na interrupção do mandato da presidente. ?Forçam a barra, aproveitam uma crise econômica mundial e a impopularidade da presidenta decorrente dessa crise, para mais uma vez entrar com pedido de impeachment. Agora a política deles é ganhar no tapetão o que perderam na democracia, no voto?.
Eduardo Cunha afirmou que estudará cuidadosamente o documento e dará encaminhamento até o mês de novembro. Caso aceite o pedido de impeachment, uma comissão será criada para elaborar o parecer a ser posteriormente votado na plenária.
Reportagem: Uilson Campos, direto de Brasília


