Jovem que perdeu os dois braços na infância relata superação e adaptação após acidente

Dani Amaral compartilhou nas redes sociais a história do acidente quando tinha 4 anos e como aprendeu a reconstruir a vida.

Foto: Redes Sociais / Dani Amaral

A jovem Dani Amaral publicou um vídeo nas redes sociais relatando sua história de superação e readaptação após perder os dois braços em um acidente em 1998, quando tinha apenas 4 anos de idade. O pai trabalhava na agricultura e, ao chegar em casa após o trabalho, foi lavar o trator que utilizava na lavoura. Dani estava por perto e acabou se aproximando de uma máquina ligada ao trator.

De acordo com a jovem, o equipamento possuía um cardã, uma peça formada por um eixo de ferro cilíndrico que gira em alta velocidade. Ao brincar próximo da máquina, a criança acabou colocando a mão no local e a blusa ficou presa no mecanismo.

“No dia do acidente, foi em 1998, eu tinha 4 anos de idade e eu morava no interior. Meu pai trabalhava com agricultura e ele chegou do trabalho, foi lavar o trator que ele estava usando para trabalhar e eu fui junto com ele. Fiquei brincando ali em volta e ele usava uma máquina ligada num cardã. O cardã é um eixo de ferro cilíndrico que fica girando bem rápido. Enquanto meu pai estava trabalhando, eu acabei saindo do campo de visão dele e comecei a brincar perto dessa peça. E eu acabei colocando a minha mão no cardan do trator. E quando eu coloquei a minha mão, a minha blusa se enroscou. E eu tentei com a outra mão tirar, mas essa peça tem uma força muito grande. Então ela acabou puxando e arrancando os meus dois braços”, contou.

Segundo Dani, após o acidente o pai correu para pedir ajuda e a levou imediatamente ao hospital.

“E a partir daí eu lembro muito de flashes. Eu lembro que meu pai me pegou no colo e ele correu na casa da minha avó, pediu pra ela um lençol. E ele me enrolou bem forte nesse lençol e foi comigo para o hospital. Quando a gente foi para o hospital, a minha mãe recebeu a notícia do que tinha acontecido e pediu para levarem ela para o hospital, para onde eu tinha ido. Só que antes de ir para o hospital, ela passou no lugar onde aconteceu o acidente e ela levou os dois bracinhos dentro de uma caixa com gelo para o hospital para os médicos tentarem recolocar em mim”, relatou.

De acordo com o depoimento, os médicos ainda tentaram realizar o procedimento de reimplante, mas explicaram aos pais que havia grande risco de infecção generalizada.

“Quando eu cheguei no hospital, fui direto para a sala de cirurgia. Depois a minha mãe chegou, entregou os braços para os médicos e eles ainda fizeram uma tentativa de recolocar. Mas eles explicaram que a chance de eu ter uma infecção generalizada ali e morrer na hora era muito grande. Então meus pais disseram que eles apenas queriam que eu ficasse viva, independente de como isso seria. E aí eu fiquei 11 dias em coma”, disse.

Após esse período, Dani começou a acordar e a entender o que havia acontecido.

“Depois de 11 dias eu comecei a acordar, comecei a entender melhor o que estava acontecendo ali. De início, pra mim não foi nenhum choque muito grande porque eu era muito pequena, eu ainda não entendia. A minha mãe conta uma coisa que é muito marcante pra mim: quando ela chegou no quarto, quando eu acordei do coma, eu falei pra ela assim: mãe, eu não tenho mais os meus braços pra te abraçar, mas eu tenho os meus pezinhos. E eu ergui os pés e dei um abraço nela com as pernas”, relatou.

Com o passar do tempo, Dani iniciou um processo de readaptação para realizar atividades do dia a dia. Segundo ela, chegou a tentar aprender a escrever com a boca, mas logo demonstrou habilidade usando os pés.

“Durante o tempo ali no hospital eu fui entendendo melhor que a minha perspectiva de vida seria diferente. Então foi um processo de readaptação. Tentaram me ensinar a escrever com a boca, mas desde o início eu mostrei uma habilidade muito grande com os pés. Então ali eu comecei a aprender a escrever com os pés. Depois eu voltei para casa e a minha mãe continuou esse processo de adaptação comigo dentro de casa”, contou.

A jovem também relatou que, ao longo da vida, aprendeu diversas atividades sozinha, como cozinhar, se maquiar e cuidar do cabelo.

“Fui aprendendo a cozinhar. No início eu lembro que colocava uma banqueta em cima de uma cadeira no fogão lá em casa e sentava mais alto para conseguir cozinhar. Depois fui aprendendo a me maquiar quando fiquei adolescente, fui aprendendo a cuidar do meu cabelo. Em cada passo, conforme eu fui sentindo a necessidade, eu fui aprendendo as coisas”, afirmou.

Segundo Dani, um dos maiores desafios foi enfrentar o preconceito e as dúvidas de pessoas que acreditavam que ela não conseguiria realizar algumas atividades, como tirar carteira de motorista.

“Meu interesse em compartilhar minha história nas redes sociais veio quando eu comecei a dar palestras. Eu sempre gostei de ensinar as pessoas e percebia que, não só pela minha história, mas também pelas técnicas e ferramentas que eu ensinava nas palestras, eu conseguia ajudar a mudar a mentalidade das pessoas”, explicou.

Ao compartilhar sua história, Dani afirma que deseja incentivar outras pessoas a acreditarem na própria capacidade de superação.

“Eu espero que as pessoas aprendam que não é o que acontece com elas que determina quem elas vão ser, mas como elas reagem. Quando eu estava no hospital, a previsão era que eu ficasse internada 90 dias, mas eu recebi alta com 50 dias. O médico disse que eu me recuperei antes do esperado porque eu tinha uma força de vontade de viver muito grande. Essa força de vontade que a gente tem dentro da gente pode ajudar a transformar a nossa realidade”, declarou.