Lula diz que Campos Neto é “a serpente que pôs o ovo” no caso Banco Master

Presidente defende investigação ampla e afirma que todos os envolvidos devem ser responsabilizados

Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta quarta-feira (8) que o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, é “a serpente que pôs o ovo” no caso envolvendo o Banco Master. A declaração foi feita durante entrevista concedida ao canal ICL Notícias.

Segundo Lula, decisões tomadas durante a gestão de Campos Neto teriam permitido a regularização da instituição financeira. O presidente citou ainda o ex-presidente do Banco Central Ilan Goldfajn, afirmando que ele teria recusado reconhecer o banco anteriormente.

“Perguntei para uma pessoa importante desse país aqui: por que é que você nunca publica o nome do Roberto Campos Neto?”, disse o presidente da República. “O Ilan Goldfajn, que era presidente do Banco Central, recusou reconhecer o Banco Master. O Roberto Campos legalizou o Banco Master.”

Durante a entrevista, Lula também afirmou que investigações sobre possíveis irregularidades devem ocorrer sem limitações, independentemente de quem esteja envolvido, incluindo integrantes do próprio governo. O presidente destacou a importância de punições rigorosas para garantir efeito pedagógico no combate à corrupção.

“E todas as falcatruas que vêm na asa genealógica do Banco Master têm quem? O governo Jair Bolsonaro, o Paulo Guedes e os ministros deles”, continuou Lula. “Só você mostrar que você vai perceber que é uma tentativa de esconder, sabe, qual é a serpente que pôs o ovo. É o Roberto Campos.”

O presidente também criticou a condução da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), afirmando que o colegiado não incluiu nomes ligados ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e que houve tentativa de politizar a investigação. Segundo Lula, o caso foi identificado por órgãos de controle do próprio governo, como a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União.

Eles tentaram fazer uma briga política, porque são dois candidatos a senador, o relator e o presidente. E tentaram envolver todo mundo do nosso lado”, disse o presidente.

Lula afirmou ainda que não é contrário à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o caso Banco Master, desde que as investigações incluam também o ex-presidente do Banco Central e demais diretores da instituição.

Ao comentar o acordo envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, o presidente ponderou que delações premiadas exigem cautela, destacando que esse tipo de instrumento pode ser alvo de questionamentos quanto à sua condução.