Coletânea sobre maternidade atípica de escritora do recôncavo será apresentado na Bienal do Livro da Bahia

Obra reúne 24 coautores e propõe ampliar o debate sobre neurodiversidade, inclusão e políticas públicas

Imagem: divulgação

A escritora Glória Anjos anunciou, em entrevista à Rádio Andaiá FM, o lançamento da coletânea “Neurodiversidade: Vivência que Transforma”, que será apresentada na Bienal do Livro da Bahia. A obra reúne 24 coautores e busca dar visibilidade a experiências reais de profissionais e mães atípicas da região.

De acordo com a autora, o projeto foi construído ao longo dos últimos anos, sendo motivado por sua vivência pessoal após o diagnóstico tardio do filho. A partir dessa experiência, foi escrito o livro “Maternidade Atípica e os bastidores que o mundo não vê”, inicialmente publicado como e-book e, posteriormente, transformado em obra física devido à repercussão.

Segundo Glória, a aceitação do primeiro livro levou à ampliação do debate em rodas de conversa e seminários, sendo fortalecida a rede de apoio entre mães atípicas.

“Eu falo da minha vivência mesmo, desse bastidor que o mundo lá fora não vê”, afirmou.

A nova coletânea foi organizada em parceria com a Editora BFK, que abriu edital para seleção dos participantes. A autora explicou que realizou uma busca ativa por profissionais da região com experiência prática na temática. “Estou levando escritores e não escritores que atuam com essa realidade, com vivência que transforma”, destacou.

A obra reúne autores de cidades como Cruz das Almas, São Filipe e Salinas da Margarida, incluindo assistentes sociais, advogados, fisioterapeutas, economistas e neuropsicólogos. Cada participante assina um capítulo, trazendo abordagens voltadas à prática e ao cotidiano da neurodiversidade.

Durante a entrevista, Glória também chamou atenção para os desafios enfrentados por mães atípicas, como a sobrecarga, a dificuldade de acesso a serviços e a falta de suporte adequado. “O que mais impacta é o cansaço dessas mães e a luta constante por não ser ouvida”, relatou.

Outro ponto destacado foi a inclusão escolar. Para a autora, apesar de amplamente debatida, a inclusão ainda enfrenta barreiras na prática. “Inclusão é uma palavra muito bonita, porém a gente sente a dificuldade quando não há equidade”, afirmou, ao defender um atendimento mais individualizado para crianças neurodivergentes.

O lançamento da coletânea está marcado para domingo (19) durante a Bienal. Antes disso, no dia 15, a autora participará de uma roda de conversa sobre maternidade atípica, aberta ao público.

Glória reforçou a importância de dar voz às mães atípicas e ampliar o debate social. “Que as mães não vivam no silêncio. Se a gente não falar, o mundo não vê, não ouve”, declarou.