Justiça da Itália nega extradição de Carla Zambelli para o Brasil, diz defesa

Decisão da Corte de Cassação reverte autorização anterior e mantém indefinição sobre o caso da ex-deputada.

A Justiça italiana negou, nesta quinta-feira (22), a extradição da ex-deputada Carla Zambelli para o Brasil. A decisão foi tomada pela Corte Suprema de Cassação, instância máxima do Judiciário na Itália, que anulou o entendimento anterior da Corte de Apelação de Roma favorável ao envio da parlamentar.

Zambelli está presa em Roma desde julho de 2025, após ser localizada pelas autoridades italianas. O pedido de extradição foi feito pelo Brasil com base em condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal. Entre elas, está a pena de 10 anos de prisão pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça, além da condenação pelo episódio em que perseguiu um homem armada nas ruas de São Paulo, em 2022.

Durante audiência na Itália, a defesa alegou a existência de supostos “vícios processuais” nas decisões do STF, além de questionar as condições do sistema prisional brasileiro e apresentar problemas de saúde da ex-deputada. Os advogados também afirmaram que não houve análise adequada sobre a estrutura da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, onde ela poderia cumprir pena.

Antes do julgamento final, a defesa tentou adiar a análise para unificar dois processos de extradição, mas o pedido foi rejeitado. Os magistrados italianos entenderam que, diante da prisão da ex-parlamentar, não seria possível prolongar a tramitação do caso.

A decisão da Corte de Cassação representa uma mudança significativa no processo, já que, em março deste ano, a Justiça italiana havia autorizado a extradição — entendimento agora derrubado pela instância superior.

As justificativas detalhadas da decisão ainda devem ser divulgadas nos próximos dias. Até o momento, também não há previsão sobre quando Carla Zambelli poderá deixar a prisão na Itália.