Em meio a boatos sobre a possibilidade de mudança do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e a dificuldades na condução do ajuste fiscal, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, admitiu, ontem, no Congresso Estadual do PCdoB, em Salvador, que as medidas para recuperação da economia propostas pelo governo podem sofrer modificações.
“Se a presidente entender que as medidas que estão sendo tomadas até agora não estão lhe dando o resultado que ela queria, eventualmente ela pode fazer mudanças”, afirmou o ministro.
Wagner reconhece que, por enquanto, os resultados não estão sendo alcançados. “O país está em recessão, está com crescimento de desemprego e com uma inflação alta”, enumerou ele.
Apesar da aposta no mercado de que Levy possa vir a ser substituído pelo ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, no comando da Fazenda, Wagner disse não ver, no momento, nenhum movimento neste sentido.
O ministro lembrou que a condutora da política econômica é a presidente Dilma Rousseff. “Quem banca o modelo, quem acredita, quem determina, quem orienta o modelo que está sendo seguido é a presidenta Dilma, não é o ministro Levy”, assinalou Wagner.
Destruir
O ministro, que disse estar aberto a receber sugestões para aperfeiçoamento do ajuste fiscal, aproveitou o encontro do PCdoB para mandar um recado ao seu partido, o PT, e aos aliados que torcem o nariz para o ajuste, para não repetirem o discurso da oposição, que, segundo ele, “critica com o sentido de destruir”, “Quem é da base do governo, é melhor que a gente faça este debate internamente, porque estas coisas não são decididas num debate de muita gente, é uma decisão mais fechada”, recomendou Wagner.
Enquanto o ministro era aguardado no Congresso, o vice-presidente nacional do PCdoB, Walter Sorrentino, disse com todas as letras, que o problema da economia brasileira não era o ministro Joaquim Levy.
“O problema é da política da presidente. O que é preciso dizer é que o ajuste fiscal acabou aprofundando a recessão. O que tem que ser feito com a ajuste é virar a página e apresentar uma agenda de futuro”, defendeu o comunista.
Sorrentino sugeriu, que o governo deveria se concentrar em poucas medidas concretas, como a aprovação da CPMF e o aumento da arrecadação, mas, na sequência, tentar estimular a economia popular para sustentar o consumo e aumentar o crédito.
Cunha
No Congresso Estadual do PCdoB, para eleição da nova direção para o biênio 2016-2017, que se encerra hoje, às 16h30, no Hotel Fiesta, o ministro também falou sobre os movimentos pró-impeachment e pró- cassação do presidente da Câmara, deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Wagner acredita que as pessoas estão, cada vez mais, entendendo que é mais importante para o Brasil tomar medidas econômicas do que tirar da presidência quem está lá com a legitimidade do voto.
Sobre Cunha, negou acordo para salvar o mandato dele em troca de não levar adiante o pedido de impeachment de Dilma, e disse esperar que o Conselho de Ética “faça julgamento justo e equilibrado do deputado”. (A Tarde)



