
A advogada Kenia Mariella, presa na manhã desta quinta-feira (11) em Santo Antônio de Jesus durante a Operação Maré Vermelha, é apontada pela Polícia Civil como integrante de uma organização criminosa investigada por envolvimento com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Durante o cumprimento do mandado de prisão preventiva, os investigadores apreenderam mais de R$ 100 mil em espécie na residência da advogada.
A informação foi confirmada pelo delegado geral da Polícia Civil da Bahia, André Viana, ao comentar os resultados da operação, que mobilizou forças de segurança em diferentes estados e resultou em 16 prisões.
“Foi apreendido mais de 100 mil reais em espécie, então existe o envolvimento ativo dessa advogada que, até então, vem como integrante dessa organização e com certeza será esclarecido isso ao longo de toda a investigação, bem como no processo judicial”, afirmou em entrevista a Leonardo Valente.
A prisão chamou atenção na região não apenas pela apreensão do dinheiro, mas também pelo perfil da investigada. Além de atuar na advocacia, Kenia Mariella trabalha como corretora de imóveis e possui forte presença no segmento imobiliário de alto padrão. Em suas redes sociais e atividades profissionais, costuma divulgar imóveis de luxo e empreendimentos voltados para clientes de maior poder aquisitivo.
Outro fator que ampliou a repercussão do caso é sua ligação com a política local. A advogada é esposa de um ex-candidato a prefeito de Salinas da Margarida, município do Recôncavo Baiano, figura conhecida no cenário político da cidade.
A Operação Maré Vermelha foi deflagrada pela Polícia Civil da Bahia por meio do Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DRACO-LD). Segundo as investigações, o grupo alvo da ação é suspeito de movimentar recursos oriundos de atividades ilícitas e possui atuação estruturada em diferentes localidades.
De acordo com André Viana, a ofensiva teve como principal objetivo enfraquecer financeiramente a organização criminosa. Ao todo, a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 100 milhões em bens e ativos vinculados aos investigados.
“Chegamos a 16 prisões e mais de 100 milhões com bloqueio judicial, ou seja, viés de asfixia financeira”, destacou o delegado durante entrevista a Leonardo Valente.
Durante o cumprimento das medidas judiciais envolvendo a advogada, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanharam as diligências, conforme prevê a legislação para ações que envolvem profissionais da advocacia.
A Polícia Civil informou que não divulgará, neste momento, detalhes específicos sobre a participação individual dos investigados. As apurações seguem em andamento e devem avançar a partir da análise dos materiais apreendidos durante a operação.
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