FBI investiga movimentações de R$ 1,5 bilhão da Federação Argentina de Futebol

Autoridades dos Estados Unidos apuram transações superiores a US$ 300 milhões realizadas pela AFA e analisam possíveis indícios de lavagem de dinheiro e fraude bancária.

O presidente da Associação Argentina de Futebol, Claudio Fabian Tapia, durante a Copa do Mundo. — Foto: JUAN MABROMATA / AFP

A Federação Argentina de Futebol (AFA) está sendo investigada pelo FBI e por procuradores federais dos Estados Unidos por movimentações financeiras que ultrapassam US$ 300 milhões, o equivalente a cerca de R$ 1,55 bilhão. A apuração busca identificar se parte das operações realizadas por meio do sistema financeiro americano pode estar relacionada a crimes como lavagem de dinheiro e fraude bancária.

De acordo com o jornal La Nación, agentes do FBI e integrantes do Departamento de Justiça dos Estados Unidos já ouviram testemunhas para esclarecer as transações financeiras da entidade em território americano. As investigações se concentram na atuação da AFA, presidida por Claudio Tapia, e na relação da federação com a empresa TourProdEnter LLC.

A empresa atuava como responsável pela cobrança dos contratos internacionais firmados pela federação argentina com patrocinadores e parceiros comerciais. Segundo as investigações, a TourProdEnter LLC teria intermediado a movimentação de centenas de milhões de dólares provenientes desses acordos.

Entre os contratos analisados estão um acordo de US$ 60 milhões, aproximadamente R$ 310 milhões, firmado com a Adidas, e outro de US$ 40 milhões, cerca de R$ 207 milhões, envolvendo a Warner.

As investigações tiveram início em 2025 e são conduzidas pelos procuradores Patrick Gushue e Christopher Ting, em Washington, com apoio do procurador Michael Berger, do Distrito Sul da Flórida. Gushue integra a Unidade de Integridade Bancária do Departamento de Justiça, especializada em crimes financeiros, enquanto Berger participou da investigação que resultou na condenação do ex-controlador-geral do Equador, Carlos Ramón Polit Faggioni, por lavagem de dinheiro.

No decorrer da apuração, o empresário Guilherme Tofoni também prestou depoimento por videoconferência aos investigadores, que buscam esclarecer a origem e a legalidade das operações financeiras vinculadas à AFA.

Até a publicação desta reportagem, a Federação Argentina de Futebol não havia se pronunciado oficialmente sobre a investigação.