
Uma carta enviada pelo representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, ao governo brasileiro em janeiro de 2026 listou uma série de exigências para uma possível redução das tarifas sobre produtos do Brasil. A proposta dos Estados Unidos incluía a eliminação da tarifa brasileira sobre o etanol americano, a redução de barreiras para produtos industriais dos EUA, como veículos, autopeças, medicamentos, equipamentos médicos, produtos químicos, frutos do mar e aviões.
O documento, obtido pelo ICL Notícias, indica que o governo de Donald Trump condicionou a negociação a mudanças em diferentes setores da economia brasileira. Entre as principais cobranças apresentadas por Washington estava a restrição de investimentos chineses em áreas consideradas estratégicas, como mineração de minerais críticos e terras raras. O documento também solicitava a revisão da venda de ativos de níquel da Anglo American para uma empresa ligada a uma estatal chinesa.
De acordo com o documento, o governo Trump só aceitaria discutir a redução das tarifas após o Brasil adotar mudanças consideradas significativas na abertura do mercado e na proteção aos interesses econômicos dos Estados Unidos. A divulgação das exigências mostra que as negociações envolviam temas econômicos e geopolíticos, incluindo a relação brasileira com a China.
No setor agrícola, a carta pedia que o Brasil não restringisse produtos americanos por determinadas denominações usadas em carnes e queijos. O governo norte-americano também propôs um grupo de trabalho bilateral voltado ao comércio agrícola.
Na área de tecnologia, o documento defendia tratamento considerado “justo” para empresas digitais dos Estados Unidos, além da participação de companhias americanas na criação de regras para o setor. A carta também citava uma moratória permanente na Organização Mundial do Comércio (OMC) para impedir tarifas sobre transmissões eletrônicas.


