
Um levantamento do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps) revelou uma mudança no destino das emendas parlamentares voltadas à Atenção Primária à Saúde (APS). Segundo o boletim, os recursos têm sido direcionados principalmente para a compra de veículos e itens administrativos, enquanto equipamentos e insumos essenciais para o atendimento à população perderam espaço.
O estudo analisou a aplicação das verbas do Orçamento Geral da União destinadas ao setor e identificou uma redução significativa nos investimentos em equipamentos e maquinários para unidades de saúde ao longo dos últimos anos.
Em 2016, cerca de 64% das verbas destinadas à saúde eram aplicadas na aquisição de equipamentos e maquinários. Já em 2025, esse percentual caiu para apenas 12%, de acordo com o levantamento.
No ano passado, as emendas individuais de investimento para postos de saúde somaram R$ 491 milhões. Desse total, R$ 263,5 milhões — o equivalente a 54% dos recursos — foram destinados à compra de veículos.
A pesquisa também aponta que R$ 113,9 milhões, ou 23% das verbas, foram utilizados para infraestrutura e aquisição de materiais de escritório. Em contrapartida, os equipamentos de saúde de baixo custo receberam apenas R$ 58,8 milhões.
Entre os itens que mais consumiram recursos estão os veículos de passeio, com R$ 220 milhões em investimentos. Na sequência aparecem computadores, que receberam R$ 34,2 milhões, e cadeiras odontológicas, com R$ 25,6 milhões destinados à aquisição.
De acordo com o Ieps, os dados indicam uma priorização de gastos administrativos e logísticos em relação à compra de equipamentos considerados essenciais para fortalecer a estrutura da Atenção Primária à Saúde.


