Planalto vê ‘salvação’ de Dilma na economia e na base histórica do PT

Ameaçada de impeachment, a presidente Dilma Rousseff promete fazer a partir de agora um novo movimento de inflexão à esquerda nos rumos da gestão, em uma tentativa de se manter no Palácio do Planalto. Embora o Executivo tenha obtido uma vitória no Supremo Tribunal Federal, que deu ao Senado a palavra final sobre o rito de impedimento, a cúpula do PT acredita que a salvação de Dilma depende da economia e de sua aproximação com os movimentos sociais.

Foi com esse diagnóstico que a presidente, antes mesmo de trocar Joaquim Levy por Nelson Barbosa no Ministério da Fazenda, deu sinais de mudança na política econômica. Desenvolvimentista, Barbosa sempre defendeu uma prescrição que coincide com a receita de Dilma para sair da crise.

?Precisamos de uma nova equação econômica para o Brasil?, afirmou a presidente, na terça-feira, em reunião com sindicalistas e representantes de entidades empresariais. ?Levamos uns trancos. Mas o que faremos após superar a crise??, perguntou ela na quinta-feira, ao se encontrar com integrantes da Frente Brasil Popular, que no dia anterior organizara atos em defesa do seu mandato.

?Ilusão?. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a Dilma, a ministros e também a dirigentes do PT que é uma ?ilusão? ver o Congresso como o campo de batalha mais importante na guerra contra o impeachment. Em jantar com sua sucessora há quatro dias, no Palácio da Alvorada, Lula lembrou que só a sua ligação com o povo o livrou de ser apeado do poder, em 2005, quando eclodiu o escândalo do mensalão.

?Você precisa liberar o crédito, fazer a roda da economia girar e dar notícia boa?, aconselhou o ex-presidente, na última conversa com Dilma, segundo relatos de seus interlocutores. ?A agenda do País não pode ser só ajuste fiscal e Lava Jato?, emendou ele, numa referência à operação da Polícia Federal que prendeu empresários, pesos pesados do PT e ameaça o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Na avaliação do ex-presidente, se nada for feito rapidamente haverá uma ?tempestade perfeita? que pode levar à pressão das ruas pelo impeachment, com inflação em alta, salário em baixa e desemprego na casa de dois dígitos antes de março de 2016.

Vale tudo. Nas conversas com sindicalistas e empresários, nessa semana, Dilma disse que fará de tudo para que a economia cresça de forma consistente nos próximos anos, mas pediu ajuda para superar a instabilidade política. Para a presidente, a briga de uma ala do PMDB e da oposição para tirá-la do cargo é uma tentativa de ?encurtar o caminho? para o poder.

?Vamos manter o marco legal da democracia contra a política do vale tudo?, declarou Dilma, quando agradec