As mulheres feirenses gestantes seguindo uma tendência nacional vêm dando preferência à realização do parto normal ao invés do parto cesáreo. Dados do Hospital Inácia Pinto dos Santos (HIPS), indicam que os partos normais este ano superam as cirurgias cesarianas.
A diretora médica do HIPS e obstetra Márcia Suely D´Amaral explica que esse resultado é fruto de um trabalho de conscientização tanto da população, como das equipes médicas e de enfermagem. Nos dois últimos anos, o índice de partos cesarianos chegava a 80% e hoje é notável a mudança desse quadro, onde os partos normais apontam um número de 60%.
Para a médica, considerando sua experiência e os diversos estudos, os benefícios do parto normal são vários, em comparação aos partos cesarianos. O parto cesariano é um parto cirúrgico e como todas as cirurgias apresentam riscos de infecção, sangramento, reoperação por alguma anormalidade e risco de tromboembolismo.
?Quando existe uma complicação de um parto normal, isso é motivo às vezes de imprensa, de questionamentos. Mas, em relação ao parto cesariano o risco de uma complicação no parto normal e é muito menor, se ele é feito de acordo com as normas preconizadas, de um parto humanizado, um parto como ele tem que ser feito realmente?, disse.
Outro fator positivo do parto normal é a recuperação da mulher. Por ser um parto natural, no dia seguinte ela já pode andar, cuidar do bebê e realizar suas atividades. Em relação ao risco benefício de cada parto, quem avalia essa questão é o profissional que acompanha a paciente. É o médico quem avalia as condições da mulher e do bebê, do pré-natal, conversa sobre os benefícios do parto normal em relação ao parto cesariano e, portanto, é ele quem indica a melhor opção de parto de acordo a cada caso.Segundo Márcia, o Brasil é um dos campeões mundiais em mortalidade materna e complicações em partos. Esse indicador é também reflexo do número de partos cesarianos realizados. Porém, esse cenário vem mudando aos poucos, diante das novas tendências do parto humanizado e com a autonomia e o protagonismo das mulheres de decidirem em que posição e de que maneira querem ter seus bebês e de quem elas querem o apoio e a presença durante esse momento tão importante.
?A tendência é aumentar cada vez mais o número de partos normais. A Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza que o parto cesáreo deve ser em média de 13 a 15%. Nós estamos muito longe dessa meta, mas buscando cada vez mais a diminuição do índice dos partos cesarianos?, concluiu. (Acorda Cidade)


