Opinião: As rádios da Bahia tocam sexo explícito, você ouve mas seu filho escuta

Esta semana estava no carro com meus filhos ouvindo rádio. Às vezes nos ouvimos mas não escutamos. Ouvimos o tempo todo o rádio ligado, mas nem sempre estamos ligados nele. Por exemplo, ouvimos musicas e atendemos alguém e conversamos, mas logo nos antenados quando ouvimos o locutor interromper com alguma noticia que nos interessa, ai passamos a escutar. Ouvimos barulhos de carro o dia todo. Só não ouvimos se taparmos os ouvimos, mas escutar significa prestar a atenção.

Pois bem, eu estava ouvindo o rádio quando de repente, escutei minha filha cantando o que estava a musica que estava tocando. Minha filha tem sete anos, mas é daquela que tem jeito e maturidade de quem tem ainda cinco ou seis anos. E ela estava cantando “coloca a mãozinha no chão e joga o bumbum pro alto”, uma música de Blak Stile, uma banda especializada em produzir o que pode existir de mais baixo e degradante no pagode baiano. As letras dessa banda reduzem as mulheres ao nível mais baixo que um ser humano pode chegar. Chamam as mulheres de cachorra, falam em bater e tratam a mulher como um simples objeto sexual.

Para se ter uma idéia, a musica que ouvimos as crianças cantando inocentemente o seu refrão “me da patinha, me dᔠcomeça da seguinte forma: “Robissão já pegou ,o Ramom pegou também ,o Jael engravidou tá esperando seu neném,Netinho pegou de quatro ,Vitinho fez frango assado, Fabinho sem camisinha pegou uma coceirinha”. Gente nossas crianças são mais espertas do que imaginamos. Elas são muito curiosas, estão na fase de procurar entender aquilo que vêem e ouvem, se não perguntam a você perguntam ao coleguinha mais velho.

Essas musicas tem refrãos repetitivos e muito fáceis de gravar, uma tentação para o ouvido e memória das crianças. Os órgãos reguladores determinam horário para o que vai passar na TV, agora graças a Deus existe a classificação de programação. Estes órgãos reguladores talvez não tenham idéia do que está tocando no rádio baiano. Algo que vai muito além da simples brincadeira de trocadilhos e duplo sentido do antigo forró.

Agora as musicas não têm duplo sentido, é um sentido só é sexo explicito cantado e detalhado e da pior forma de sexo, no qual a mulher é um objeto que gosta de pancada, que é cachorra e me impressiona as meninas catarem com o maior gosto algo tipo: tô sendo sincero com você, não posso te iludir pois eu amo minha mulher, o que eu fiz até me arrependi, mais nossos corpos se atraem, Nós temos que admitir E é só sexo, só sexo, desejo você, sexo só sexo, nos dá prazer, é só sexo, só sexo, não existe amor

 . As musicas além da deploração sexual incita a violência, imagine o folião cheio de cachaça ou droga na avenida ouvindo “quebra tudo aê, arrasta tudo aê e quebra tudo”. O que ele vai fazer o que encontrar pela frente.

 
Recentemente proibiram a propaganda de uma música em outdoor, por que seu nome continha a palavra “porra”. Essa palavra que reclamamos nossos filhos e somos flagrados por eles falando ou por raiva ou por alegria. Concordo que palavrão não deve ser fixado em outdoor em local público, mas tem coisa muito pior sendo falada, cantada, explicada e repetida exaustivamente a qualquer hora do dia nas emissoras de rádio, que são concessões pública. No rádio é permitido falar o que a TV não pode mostrar.

Seu filho pode ouvir aquilo que não pode ver? Se você se preocupa com o que seu filho vê na TV não esqueça de se preocupar com o que ele escuta no rádio. Talvez você tenha fica surpreso com algumas letras que transcrevi aqui, mas isso você ouve todos os dias, o problema é que enquanto você ouve seu filho escuta.