Professora sobre crianças autistas: “a gente enriquece com elas, a gente aprende a ser mais humano”

downloadNo dia 02 de abril, próximo sábado é comemorado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Um tema pouco falado, no qual muitos pais de crianças autistas tem dificuldades de lidar, pois têm poucas informações sobre quais atitudes e ações tomar para com estes. Nas escolas essa também é uma situação desafiadora, precisamos saber como os professores têm agido e se comportado com esses alunos, qual a preparação e suporte tem recebido, e a aceitação, será que há preconceitos e exclusão?  O repórter Reginaldo Silva da Rádio Andaiá FM, esteve em contato as professoras do CAP Aurélio Pires (Centro de Apoio Pedagógico / Lions Club), sobre as ações adotadas por esta instituição. A diretora, professora Alessandra Veiga explicou que as pessoas autistas apresentam características diversas, mas em uma linha geral, estas têm ausência de reciprocidade social, padrões restritivos repetitivos de comportamentos, movimentos repetitivos (estereotipias), aderências à rotinas, interesses restritos e fixos são as características mais marcantes.

Ela comentou que o CAP oferta o Atendimento Educacional Especializado(AEE) no turno oposto a escolarização formal do aluno, e acrescenta que o aluno com autismo ou qualquer outra deficiência, deve estar incluído em uma escola regular, frequentando regularmente, e no turno oposto, estes têm o acesso ao AEE. Ela informa que o CAP não dispõe de multidisciplinar para o atendimento, “seria necessário, mas não temos essa equipe, nós fazemos parcerias com a Secretaria de Ação Social, a Secretaria de Saúde… a gente encaminha” disse. O CAP tem os profissionais nas áreas de psicologia e psicopedagogia, estes realizam uma avaliação prévia para diagnóstico de características e os demais trabalhos são desenvolvidos pelos pedagogos. Os alunos têm acesso a atividades de habilidades cognitivas, psicomotricidade, informática acessível e AVA (Atividade da Vida Autônoma).

Alessandra pontua que o CAP precisa ter uma equipe multidisciplinar para prestar atendimentos mais específicos aos alunos, comenta também que o espaço precisa ser ampliado, já que o autista tem as dificuldades de adaptação e resistência a convívio social, o espaço dividido entre muitas outras pessoas torna-se difícil. Ela acrescenta que as dificuldades encontradas estão nessas bases, inclusive a parceria com as famílias e a inclusão na escola regular, “a gente sente uma resistência muito grande”, disse.

A professora Sandra Bitencourt, de lida diariamente com os alunos em sala de aula, disse que cada criança tem sua peculiaridade, “a maior dificuldade nossa é conseguir alcançar, é penetrar o mundo delas, porque pra a gente desenvolver qualquer que seja a atividade a gente precisa conhecer um pouco delas” disse. Assegura que é preciso um primeiro contato para a partir de então realizar pesquisas para desenvolver o trabalho. “A gente ter contato com essas crianças, a gente enriquece com elas, aprende muito com elas, a gente aprende a ser mais humano” acrescentou emocionada. Disse que suas experiências são  maravilhosas, há dois anos trabalhando na área, tem contato com alunos que já chegaram na instituição sabendo ler, e alunos de 7 anos que já sabem ler inclusive falar inglês.

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