O ator baiano Wagner Moura, 41 anos, contou histórias sobre sua infância pobre no interior da Bahia e sobre como o Brasil trata do tema do trabalho escravo, em entrevista à agência de notícias Reuters. Moura, que ficou famoso no Brasil por peças teatrais, novelas e filmes, agora é é embaixador da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e ganhou notoriedade mundial ao estrelar a série ‘Narcos’ (Netflix), interpretando o narcotraficante colombiano Pablo Escobar.

O baiano contou que viu a escravidão ao seu redor, mas como muitas pessoas, ele acreditava ser normal. “Eu cresci testemunhando muitas pessoas trabalhando em condições horríveis e não sendo pagas, trabalhando por comida ou um lugar para dormir. Eu cresci pensando que esse tipo de coisa era normal”, disse.
Eu lembro de meninas, de 11, 12 anos, principalmente meninas negras. Elas passavam suas vidas trabalhando em casas e algumas não iam nem à escola. Então basicamente elas eram escravas.”
Segundo a publicação, aos 17 anos, ele veio morar em Salvador e percebeu que o que havia testemunhado quando criança estava errado. “Foi um choque para mim porque eu realmente acreditava que meio que era o que era… foi quando eu percebi que as pessoas deviam ser pagas pelo seu trabalho”, afirmou Moura.
“Eu tenho falado com as pessoas e elas dizem que não tinham ideia de que isso estava acontecendo. Trabalho escravo – do que você está falando?”, contou.
Globalmente existem 21 milhões de pessoas em trabalhos forçados, incluindo crianças, em um negócio que vale 150 bilhões de dólares por ano, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho.
No Brasil, o trabalho forçado é definido como uma forma de escravidão. Isso inclui trabalho em condições degradantes e longas horas que representam um risco à saúde do trabalhador e ou a servidão por dívida.
“Mudanças na nossa definição de trabalho escravo, eu acho que é muito possível que aconteça”, afirmou ainda Wagner Moura.
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