Dona da batuta: ela decidiu que pode conduzir uma orquestra também

Crédito: Ana Albuquerque

O ritmo que se cria aqui, aquele negócio que balança o corpo todo, é mais que um som que pulsa na batucada ou uma partitura. Ele transforma. Do Parque do Queimado, passando pelo Pelourinho até o Candeal, trouxemos de lá, relatos de quem viu esse som, inspirar e transpirar oportunidades. Histórias que saíram de projetos sociais que todo dia dão régua, compasso e conhecimento a crianças e adolescentes, hoje músicos profissionais que levam a Bahia em cada palco onde chegam.  Veja a seguir como, na vida e na arte, a música é capaz de mudar tudo como aconteceu com a  professora de violino e regente assistente na Neojibá, Bruna Dantas.

“Quando criança, tive contato pela primeira vez com um violino assistindo a um casamento. Queria tocá-lo de qualquer jeito. Coincidência ou não, um amigo da família havia comprado um violino para sua filha e ela não quis. Então, ele doou para mim. Fiquei um bom tempo apenas ‘brincando’ com o violino. Não tinha dinheiro para pagar um professor até que minha mãe soube que havia um projeto que dava aulas gratuitas. Entrei no Neoijibá e dentro do programa tive acesso a professores, maestros e amigos. Desde então, continuo a estudar música. Durante a pandemia, vivi um momento de tensão após um crescimento repentino de um cisto na mão que atrapalhava os movimentos para tocar. Parei com o violino e a partir daí que comecei a estudar regência com mais profundidade e se tornou minha paixão. O meu primeiro ‘empurrãozinho’ foi ser regida pela maestrina Lígia Amadio na Orquestra 2 de Julho. No meio do concerto, enquanto a música tocava, ela olhou dentro dos meus olhos e deu um sorriso para mim. Então, eu – que na época era um pouco insegura – decidi que posso ser assim como ela e conduzir a orquestra também. O que começou com uma curiosidade tem me levado ao objetivo de me tornar uma maestrina profissional. Reger é um momento em que podemos expressar e passar nossos sentimentos sem usar palavras. Sonho me tornar professora de regência e dar master class para futuros maestros. Hoje escrevo projetos envolvendo música de câmara com apenas musicistas mulheres com o intuito de incentivá-las a continuar e progredir seus caminhos musicais, além de fomentar composições femininas no ramo da música clássica que ainda é escassa.

Bruna Dantas, 22 anos, maestrina. Atualmente é professora de violino e regente assistente na Neojibá. Também cursa Bacharelado em Instrumento Violino na Universidade Federal da Bahia (UFBA), além de escrever projetos envolvendo música de câmara com apenas musicistas mulheres.Bruna Dantas, 22 anos, maestrina. Atualmente é professora de violino e regente assistente na Neojibá. Também cursa Bacharelado em Instrumento Violino na Universidade Federal da Bahia (UFBA), além de escrever projetos envolvendo música de câmara com apenas musicistas mulheres.

O projeto especial Som Salvador é uma realização do Jornal Correio, com patrocínio da Unipar, apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador e apoio da Wilson Sons e Salvador Shopping.



Veja mais notícias no blogdovalente.com.br e siga o Blog no Google Notícia