Conclave ao vivo: acompanhe em tempo real a escolha do novo Papa no Vaticano

 

Teve início nesta quarta-feira (7), no Vaticano, o conclave que escolherá o novo papa da Igreja Católica, sucessor de Francisco. O processo começou com o fechamento das portas da Capela Sistina, em Roma, no fim da tarde (início da tarde no horário de Brasília). A partir deste momento, os cardeais participantes estão isolados do mundo exterior até que um novo pontífice seja eleito.

Este é o terceiro conclave do século XXI — o primeiro foi em 2005, que resultou na eleição de Bento XVI, e o segundo, em 2013, com a escolha do argentino Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco.

Como funciona o conclave?

O conclave é a reunião secreta em que os cardeais da Igreja Católica elegem o novo Sumo Pontífice. Embora qualquer católico batizado possa, teoricamente, ser eleito, a escolha costuma recair sobre um cardeal. Dos 252 cardeais existentes no mundo, apenas aqueles com menos de 80 anos têm direito a voto. Atualmente, 135 cardeais têm essa condição, mas dois deles se ausentaram por motivos de saúde, totalizando 133 votantes.

O ritual segue tradições mantidas há mais de 800 anos. Os cardeais iniciaram o processo com uma missa na Basílica de São Pedro, seguida do juramento de sigilo na Capela Sistina, onde ocorre a votação. A primeira votação, não obrigatória, pode ocorrer ainda hoje, e o resultado será simbolizado pela tradicional fumaça — preta, se não houver vencedor; branca, se um novo papa for escolhido.

A partir do segundo dia, estão previstas quatro votações diárias — duas pela manhã e duas à tarde. O papa eleito precisa receber ao menos dois terços dos votos.

Quais os horários das fumaças?

As fumaças devem aparecer nos seguintes horários (hora local de Roma): 10h30, 12h, 17h30 e 19h. No Brasil, os horários correspondentes são 5h30, 7h, 12h30 e 14h.

Se não houver um resultado até sexta-feira, os cardeais terão um sábado de pausa para oração e reflexão, retomando as votações no domingo.

Favoritos ao papado

Embora a escolha do novo papa seja altamente imprevisível — há o ditado “quem entra papa, sai cardeal” —, alguns nomes têm ganhado destaque na imprensa internacional. Entre os mais cotados estão:

  • Pietro Parolin (Itália) – Secretário de Estado do Vaticano.

  • Luis Antonio Tagle (Filipinas) – Com forte experiência pastoral, poderia ser o primeiro papa asiático.

  • Fridolin Ambongo (Congo) e Peter Turkson (Gana) – Representam a crescente influência da Igreja na África.

  • Peter Erdo (Hungria) – Nome ligado à ala conservadora.

  • Reinhard Marx (Alemanha) – Defende maior acolhimento a minorias.

  • Matteo Zuppi (Itália) – Próximo de Francisco e ligado à inclusão social.

  • Michael Czerny (Canadá) e Joseph Tobin (EUA) – Ligados a movimentos de reforma na Igreja.

  • Outros nomes mencionados incluem cardeais de Mianmar, França, Israel, Filipinas e Guiné.

E o papa pode ser brasileiro?

Sim. Entre os 135 cardeais aptos a votar, sete são brasileiros, incluindo Odilo Scherer (SP), Orani Tempesta (RJ), Paulo Cezar Costa (Brasília) e Leonardo Steiner (Manaus). Este último foi citado como possível candidato pela agência Reuters, embora tenha negado interesse ao afirmar: “Eu não dou conta nem de Manaus”.

O cardeal Jaime Spengler, presidente da CNBB, comentou à imprensa: “O que se busca não é um sucessor de Francisco, mas de Pedro”.

Quando será anunciado o novo papa?

Assim que um candidato atingir os votos necessários e aceitar o cargo, a fumaça branca será vista no Vaticano e os sinos soarão. Pouco depois, será feito o anúncio oficial na sacada da Basílica de São Pedro com a tradicional frase em latim: “Habemus Papam”.

O novo pontífice será apresentado ao mundo após vestir as vestes papais na chamada “Sala das Lágrimas”, espaço reservado para esse momento solene, que carrega esse nome em alusão à emoção vivida por outros papas eleitos.

Quanto tempo pode durar o conclave?

Historicamente, os conclaves modernos duram poucos dias. O de 2013 e o de 2005 duraram apenas dois dias. O mais longo da era contemporânea foi o de 1922, com cinco dias. No passado, entre os séculos XIII e XV, alguns chegaram a durar mais de dois anos — cenário considerado improvável hoje.