Carla Zambelli permanece presa na Itália à espera de decisão sobre extradição

Deputada federal aguarda análise de tribunal de apelação em Roma após defesa pedir liberdade provisória

Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) continuará presa na Itália enquanto aguarda a decisão da Justiça sobre o pedido de extradição feito pelo Brasil. Nesta quarta-feira (27), ela voltou a comparecer a um tribunal de apelação em Roma, mas o juiz responsável informou que precisa de mais tempo para decidir sobre a manutenção da prisão preventiva e sobre a extradição.

A defesa da parlamentar argumenta que não há motivos para que Zambelli permaneça detida de forma preventiva no país europeu. O advogado também sustenta que a deputada enfrenta problemas de saúde, o que reforçaria a necessidade de soltura. No entanto, até que uma nova decisão seja proferida, a Justiça italiana determinou que ela siga presa.

Zambelli está detida desde 29 de julho, após ter seu nome incluído na lista vermelha da Interpol, a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF). No Brasil, a deputada é alvo de um mandado de prisão preventiva.

Dias antes de ser condenada a dez anos de prisão pelo STF, por ser apontada como mentora da invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a parlamentar fugiu para a Itália. O hacker Walter Delgatti, réu confesso no caso, também foi condenado na mesma ação.

Na semana passada, Zambelli recebeu uma nova condenação no Supremo. Ela foi sentenciada a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo, em razão do episódio em que perseguiu um homem pelas ruas de São Paulo portando uma pistola. A decisão ainda cabe recurso.

Em nota, o advogado Fábio Pagnozzi afirmou que a deputada manifesta “surpresa e profundo desacordo” com a nova condenação. Segundo a defesa, a decisão será “firmemente contestada” por supostamente violar princípios básicos do devido processo legal e representar uma “interpretação extensiva e arbitrária da competência da Suprema Corte”.

“A deputada reafirma sua inocência e que é vítima de perseguição política, justo às vésperas de seu pedido de extradição, em um julgamento recorde”, declarou o advogado.