
O Sistema Único de Saúde (SUS) começou a implementar, nesta sexta-feira (15), um novo modelo de rastreamento do câncer do colo do útero, com a oferta do teste de DNA-HPV. A tecnologia detecta a presença do papilomavírus humano — principal causador da doença — antes mesmo do aparecimento de lesões, possibilitando uma intervenção precoce e mais eficaz.

Produzido pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), ligado à Fiocruz, o exame passa a ser o método oficial de rastreamento no SUS, substituindo progressivamente o tradicional papanicolau, que será utilizado apenas para confirmação de casos positivos.
O teste molecular é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como padrão ouro para rastreamento, por oferecer maior sensibilidade diagnóstica, permitir intervalos maiores entre coletas — de até cinco anos — e evitar intervenções desnecessárias.
Segundo o Ministério da Saúde, a nova estratégia vai beneficiar cerca de 7 milhões de mulheres entre 25 e 64 anos todos os anos, com a meta de estar presente em todo o país até dezembro de 2026. Inicialmente, será ofertado em 12 estados e no Distrito Federal, começando com um município em cada unidade da federação.
O câncer do colo do útero é o terceiro mais comum entre mulheres brasileiras, com 17 mil novos casos estimados por ano e 15 diagnósticos a cada 100 mil mulheres, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Apesar de ser evitável, a doença segue como uma das principais causas de morte feminina no Brasil, especialmente no Nordeste, onde a taxa de mortalidade é mais alta. O Ministério da Saúde aponta que são registradas 20 mortes por dia no país.
Com o novo teste, o governo espera reduzir drasticamente o número de mortes evitáveis, promovendo um rastreamento mais acessível, equitativo e eficiente, inclusive em áreas de difícil acesso.




