Presidente da Colômbia defende legalização da cocaína ao lado de Lula em evento na Amazônia

Gustavo Petro criticou política antidrogas dos EUA e disse que criminalização é movida por interesses políticos e econômicos

Na imagem, Petro (à esq.) e Lula (à dir.) durante evento em Manaus. Foto: reprodução

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro (Colômbia Humana), defendeu nesta terça-feira (09) a legalização da cocaína. O discurso ocorreu em Manaus, durante a inauguração de um centro de segurança para a Amazônia, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Se amanhã a cocaína fosse legalizada no mundo, não haveria máfia. E não haveria destruição da selva amazônica. Esse é um tema de discussão, a América Latina deveria discutir sem vergonha”, declarou Petro.

O líder colombiano criticou a política antidrogas dos Estados Unidos, classificando-a como “fracassada”. Segundo ele, no país norte-americano há atualmente um número elevado de mortes por fentanil, enquanto o consumo de cocaína ou maconha causava menos óbitos.

Essa não é a primeira vez que Petro defende mudanças na abordagem internacional sobre a cocaína. Em fevereiro, afirmou que a droga é ilegal por ser produzida na América Latina, e não por ser mais nociva do que o uísque. Em seu primeiro discurso na Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2022, também criticou a “guerra às drogas” e destacou que a cocaína provoca relativamente poucas mortes por overdose, sobretudo quando comparada aos impactos ambientais e de saúde do carvão e do petróleo.

“Os poderes decidiram que cocaína é veneno e deve ser perseguida, mesmo causando um baixo número de overdoses, muitas por resultado de misturas com outras substâncias. Entretanto, carvão e petróleo devem ser protegidos, mesmo que seus usos levem a humanidade à extinção”, afirmou na ocasião.

Para Petro, a criminalização da cocaína é impulsionada por fatores políticos e econômicos e não exclusivamente por motivos de saúde pública.