
A médica suspeita de matar a tiros o ex-marido, também médico, no domingo (16/11), em Arapiraca, Alagoas, afirmou que agiu por medo de ser morta. Em entrevista, ela disse que acreditou estar diante de uma emboscada e que sofria ameaças constantes. O caso, segundo sua versão, teve início há cerca de um ano e meio, quando denunciou o ex-companheiro por abuso de vulnerável contra a filha do casal.
A suspeita relatou que foi casada com a vítima durante 22 anos e que procurou a polícia após notar possíveis sinais de pedido de ajuda por parte da criança. De acordo com ela, funcionárias da residência e a escola também observaram comportamentos que levantaram suspeitas. O inquérito conduzido pela delegada responsável teria identificado indícios do abuso, e o caso foi encaminhado à 1ª Vara de Arapiraca. A filha foi ouvida em oitiva especial, porém o ex-marido não chegou a ser preso. A médica afirmou ainda que o juiz não teria acessado arquivos anexados por meio de link contendo provas do caso.
Em meio à investigação, a mulher disse ter recebido medida protetiva por conta das ameaças que vinha sofrendo. Ela relatou que o ex-marido mencionava um primo, descrito como ex-presidiário, que supostamente a agrediria caso ele fosse detido. A médica também obteve medida protetiva contra esse primo e afirmou que, na semana anterior ao crime, ele foi visto próximo ao posto de saúde onde ela trabalhava. A Patrulha Maria da Penha foi acionada, mas o homem teria mostrado um documento falso e fugido.
No dia do homicídio, segundo seu relato, ela se preparava para ir ao salão quando encontrou o ex-marido parado dentro de um carro na esquina da rua onde morava, no povoado Capim, acompanhado da cunhada dela. A médica afirmou que interpretou a situação como uma armadilha. Contou que desceu do veículo tomada pelo medo e efetuou os disparos após ver um movimento brusco da vítima, alegando que atirou de olhos fechados.
A suspeita declarou que possuía porte e posse de arma desde 2020 por residir em área rural, e reforçou que havia uma decisão judicial determinando que o ex-marido mantivesse distância mínima de 300 metros. Ela disse que a presença dele próximo à sua casa a deixou em pânico.
Depois dos disparos, moradores começaram a se aproximar e, temendo ser linchada, ela deixou o local. A médica contou que seguiu para Maceió para procurar seu advogado, mas foi interceptada pela Rotam durante o trajeto e conduzida à delegacia, onde prestou depoimento.




