
Após a megaoperação no Rio de Janeiro que deixou mais de 120 mortos no dia 28 de outubro, o Partido dos Trabalhadores (PT) voltou a defender a criação do Ministério da Segurança Pública, proposta que ganhou força dentro da legenda e pode resultar na 39ª pasta do governo federal caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja reeleito em 2026.
O tema será destaque em um seminário promovido pelo PT nos dias 1º e 2 de dezembro, no Rio de Janeiro, onde lideranças do partido devem intensificar a pressão sobre o Planalto. A ideia é retomar o modelo criado em 2018, durante o governo de Michel Temer, quando o então ministro Raul Jungmann comandou o órgão de forma extraordinária. Posteriormente, a estrutura foi incorporada ao Ministério da Justiça.
O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que a criação de uma pasta exclusiva é essencial diante da crescente crise da segurança pública no país. “Eu defendo que temos de criar, não dá para um tema que fica atrás apenas da saúde em importância para as pessoas, segundo as pesquisas, não ter um ministério próprio”, declarou.
A proposta, que foi promessa de campanha de Lula em 2022, não saiu do papel devido à resistência dos ministros da Justiça Flávio Dino e Ricardo Lewandowski, que só aceitaram o cargo sob a condição de manter a área da segurança unificada com a Justiça. Com a previsão de saída de Lewandowski ao fim do atual mandato, a resistência interna tende a diminuir, abrindo espaço para o debate sobre a nova estrutura.
Para Edinho Silva, o atual formato do Ministério da Justiça faz com que as ações de segurança pública percam foco.
“Acaba que essa área importantíssima fica diluída dentro dos outros temas da Justiça, como imigração, direitos difusos, relação com os demais Poderes, entre outros”, afirmou o dirigente.
Com 38 ministérios atualmente, o governo Lula poderá enfrentar um novo impasse político caso o tema avance, já que a criação de uma nova pasta exige reorganização orçamentária e ajustes administrativos. Ainda assim, o debate reacende a promessa petista de reforçar o combate ao crime e à violência, tema que voltou ao centro da pauta nacional após a operação no Rio.




