Bahia somou 269 mil pessoas desocupadas no mês de julho; Estado é o segundo no ranking

A Bahia foi o segundo estado no país que mais sofreu com demissões na pandemia entre os meses de junho e julho de 2020. Foram mais de 269 mil baianos que deixaram de trabalhar, segundo a última PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) covid-19, publicada nesta quinta-feira, 20, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com apoio do Ministério da Saúde.

O resultado baiano só não foi pior que o de São Paulo, onde 321 mil pessoas ficaram desempregadas. A PNAD covid-19 tem o objetivo de identificar os impactos da crise provocada pelo novo coronavírus no mercado de trabalho.

Com a redução dos empregos, a Bahia teve, no último mês, a menor taxa de população ocupada desde 2012, ano em que a pesquisa começou a ser feita. São agora 40,7% das pessoas com idade para trabalhar (a partir de 14 anos) sem ocupação no estado. A proporção caiu em relação a junho, quando o índice foi de 42,9%.

Contudo, o IBGE pontua que essa taxa de 2012, que foi de 54,9% no segundo trimestre e de 55,1% no terceiro trimestre, é da PNAD Contínua, pesquisa realizada a cada três meses, e não da PNAD covi-19, que passou a ser realizada mensalmente desde maio.

Uma das pessoas que perdeu o emprego foi Marla Machado, 34 anos, que trabalhava na Grou Turismo, empresa de receptivo fundada em Ilhéus há 13 anos. Ela atuava na agência de Salvador, até ser transferida para assumir a sede de Aracaju, em Sergipe.

“Logo quando começou a pandemia, a empresa tinha alertado que as coisas iam ficar difíceis. No final de março, ela suspendeu todos os serviços e contratos, em abril colocou todo mundo de férias e em maio demitiu 90% do quadro de funcionários”, explicou a ex-funcionária, demitida em maio.

Como a empresa prometeu que a equipe seria contratada novamente a partir de outubro, Marla relata que não procura emprego por agora e que sobrevive do seguro desemprego, assim como da multa rescisória, paga pela empresa após romper o contrato.

Assim como Marla, Denise Barreto, 51, é agente de viagens e foi desligada da Atlas Turismo no dia 29 de maio. “A gente fica surpresa, mas consciente do que está acontecendo. O mundo todo parou e o turismo foi o primeiro setor a ser atingido e será o último a reabrir”, diz Denise. Ela trabalhou na empresa durante 28 anos e também usa o seguro desemprego, além do FGTS para pagar as contas.

Segundo a pesquisa, cinco das 11 categorias investigadas pelo IBGE tiveram saldo negativo no número de trabalhadores entre junho e julho deste ano. O que mais sofreu foi a de “outras atividades”, onde se enquadram trabalhos informais, pontuais, freelancers e o famoso “bico”, que perdeu 201 mil trabalhadores, o que representou uma queda de 78,9% no número de empregos da categoria.

O segundo setor mais impactado foi o de alimentação e hospedagem, que perdeu 61 mil empregos na Bahia, 18,1% a menos que no mês anterior. O presidente da Fehba (Federação Baiana de Hospedagem e Alimentação), Silvio Pessoa, não se mostrou surpreso com os números. “É o que eu sempre disse pela federação. Pelo menos 50% dos bares e restaurantes e 10% dos hotéis não vão sobreviver. Quanto mais se demora para voltar às atividades normais, mais desempregados. O número só tende a aumentar e reflete a dura realidade da quarentena”, comentou

Pessoa falou ainda da dificuldade no acesso às linhas de crédito por parte dos bares, restaurantes e meios de hospedagem. “Precisamos de incentivos, não temos linhas de crédito nem financiamentos e todos os impostos foram mantidos. Isso só se recupera a longo prazo”, pontua.

Em terceiro lugar entre as atividades que mais desempregaram estão “outros serviços”, com 46 mil demissões, uma redução de 22,8% em relação a junho. Na categoria, se enquadram as atividades artísticas, esportivas e de condicionamento físico (academias), cabeleireiros e tratamentos de beleza, sindicatos e associações, inclusive carnavalescas, lavanderias, manutenção e reparação de  equipamentos de informática, entre outros.

Os outros dois setores que tiveram saldo negativo foi o de serviços domésticos, com 37 mil pessoas a menos sem trabalho e decréscimo de 12,6% quando comparado a junho, e o da agricultura e pecuária, que teve 24 mil demissões e queda de 2,7%.

No Brasil, pelo menos três milhões de pessoas ficaram sem trabalho devido à pandemia, entre maio e julho de 2020. A taxa de desocupação chegou a 13,7% em julho, atingindo 12,9 milhões de brasileiros. Em maio, quando a pesquisa teve início, 9,8 milhões estavam sem trabalho.

A pesquisa revelou ainda que, em julho, o número de pessoas afastadas do trabalho por causa do isolamento social caiu 46,5% e chegou a 527 mil. Em junho, o número era 984 mil. Ou seja, 458 mil baianos retornaram às atividades presenciais no último mês. Além disso, o contingente de desocupados cresceu em 24 mil pessoas, chegando a 924 mil, enquanto o número de pessoas que não procuraram trabalho por causa da pandemia teve o maior aumento do país – de 270 mil pessoas em relação a junho – e chegou a 2,3 milhões.

Metodologia da pesquisa

A PNAD covid-19 começou em maio e conta com cerca de 2 mil agentes de pesquisa do IBGE que telefonam para 193,6 mil domicílios, distribuídos em 3.364 municípios de todos os estados do país e no Distrito Federal. Na Bahia, são 100 funcionários que entrevistam moradores em 258 dos 417 municípios baianos. São 2.400 residências por semana, o que soma um total de 9.600 por mês. É o primeiro levantamento domiciliar do IBGE inteiramente planejado para ser realizado por telefone.

*Correio